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O que significa exatamente ter a língua presa?
Dois problemas muito diferentes ficaram conhecidos popularmente por esse
nome, ambos envolvendo a má articulação da língua durante a fala e, como
conseqüência, a dificuldade em emitir certos fonemas. O caso mais comum
provoca o ceceio, ou seja, a pronúncia do 's' e 'z' com a língua posicionada
entre os dentes da frente (interposição lingual). O segundo, este sim
merecedor da expressão, é caracterizado pela dificuldade de pronunciar
a letra 'l', porque o freio lingual (aquele filete de pele que fica embaixo
da língua) é muito curto. Nesse caso, a ponta da língua não consegue alcançar
de forma alguma o céu da boca e por isso fica muito difícil emitir o som
característico dessa consoante. A língua torna-se um empecilho durante
a fala.
2 Trocar a letra 'r' pela 'l' pode
ser um sintoma?
Não necessariamente. Diversos estudos recentes demonstram que a criança
que diz 'balata' no lugar de 'barata' pode fazê-lo por inúmeras razões,
sem que haja qualquer problema com o posicionamento ou aspecto da sua
língua. Portanto, só mesmo um especialista é capaz de fazer o diagnóstico
correto.
3 Quais as causas desses distúrbios?
Se o chiado e a dificuldade de pronúncia são caracterizados pelo encurtamento
do freio da língua, o problema ocorre por uma má-formação que pode ser
identificada desde o nascimento. O bebê costuma encontrar obstáculos para
mamar e em situações mais graves a língua mal sai da boca, sendo dividida
por um sulco bem ao meio toda vez que é esticada. Esse fenômeno é facilmente
obervado pelos pais, familiares ou médicos quando a criança chora, por
exemplo. Agora, quando não é esse o caso, os tropeços na fala são mesmo
causados pelo mau posicionamento da língua decorrente de inúmeras razões,
desde maus hábitos orais na infância, como chupar o dedo ou chupeta, usar
mamadeira com furo muito grande ou respirar apenas pela boca, até a posição
incorreta dos dentes e má audição. Acontece o seguinte: os padrões respiratórios
e de deglutição inadequados vão alterando o tônus dos músculos orofaciais,
fazendo com que a língua se torne mais flácida e altere a sua posição
habitual.
4 Há como reverter o problema na
fala?
Sim. Porém, por não depender de medicamentos, é necessário que haja um
grande esforço do paciente para que a correção realmente tenha êxito.
Com o apoio de equipe multidisciplinar (composta geralmente por alergista,
otorrinolaringologista, dentista, fonoaudiólogo, odontopediatra, entre
outros especialistas), o tratamento mais usual geralmente recomenda exercícios
faciais específicos, em sessões de fonoaudiologia. Em casos mais graves,
quando a língua quase nem se movimenta por conta do encurtamento do freio
lingual e o tratamento fonoaudiológico se mostra ineficaz, é indicada
a operação. O procedimento cirúrgico é simples: faz-se um leve picote
no freio para, literalmente, soltar a língua do paciente.
5 A intervenção deve ser feita em
qualquer idade? Ou apenas na fase adulta?
Em geral, a recomendação é para que o tratamento de uma maneira geral
seja iniciado o quanto antes, até mesmo em crianças pequenas que mal começaram
a falar. Isso evitaria, além de constrangimentos e dificuldades de aprendizado
na escola, as eventuais compensações na fala. Quanto à cirurgia, também
não há limite de idade, mas só mesmo um médico otorrinolaringologista
e um fonoaudiólogo, juntos, poderão indicar o melhor momento.
6 O tratamento é realmente necessário
em qualquer situação?
Apenas especialistas nesses distúrbios, ou seja otorrinolaringologistas
e fonoaudiólogos poderão responder isso ao paciente. E, por essa razão,
devem sempre ser procurados para verificar caso a caso. Se acharem que
o problema de fala poderá causar algum prejuízo mais sério no futuro,
o procedimento e/ou cirurgia poderão ser recomendados. Do contrário, ou
seja, quando o desvio se limita às dificuldades de pronúncia e o adulto
não se sente constrangido ou sequer incomodado, a reparação passa a ser
um procedimento opcional.
7 Há garantia de cura definitiva
para o paciente?
A correção da fala não depende da utilização de medicamentos e, na maioria
das vezes, tampouco de procedimento cirúrgico. Portanto, para que ocorra
qualquer progresso, é indispensável a colaboração do paciente. Além de
ajuda médica especializada, ele precisa realmente desejar as mudanças.
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Maria
Aparecida Buchina Alfano (SP), fonoaudióloga especializada em distúrbios
articulatórios, de leitura e escrita |
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