Para
os homens o problema é chatinho, mas, de certa forma, previsível e aceitável.
A calvície masculina tem até um hino que 'conforta' aqueles que já perderam
os fios: "é dos carecas que elas gostam mais..." Para as mulheres, no
entanto, trata-se de um incômodo terrível, capaz de causar um imenso impacto
na aparência e na percepção de si mesma - afinal, os cabelos femininos
sempre foram sinônimo de sensualidade e beleza. Hoje, felizmente, já existem
loções, medicamentos orais, injeções e tratamentos à base de corrente
elétrica que ajudam a combater a queda acentuada.
Nos homens, a perda aparece de forma clara, geralmente na parte frontal
da cabeça (as famosas 'entradas'); nas mulheres o distúrbio surge de maneira
mais difusa. Para diagnosticar a origem, é preciso fazer exames clínicos
e laboratoriais, além do tricograma, um processo bem específico de análise
dos fios. "É hábito solicitar também uma biópsia do couro cabeludo, que
retira de quatro a seis milímetros da área afetada", conta Francisco Le
Voci (SP), dermatologista do Hospital Albert Einstein.
Principais
causas
São dois os tipos mais freqüentes de calvície feminina. O principal é
a alopecia androgênica, de origem genética e que provoca a perda lenta
e gradual dos fios a partir da linha que reparte o cabelo ao meio. Eles
vão se tornando mais finos e menos numerosos. Muitas vezes é o cabeleireiro
quem nota a falha. "A doença é herdada da avó, da mãe ou das tias e costuma
surgir entre os 15 e 20 anos de idade", afirma o tricologista Valcenir
Bedin (SP).
As pessoas predipostas a ficar calvas são mais sensíveis à ação dos hormônios
masculinos (os andrógenos), que fazem os fios nascerem cada vez mais finos.
Tanto homens quanto mulheres podem herdar receptores desses hormônios,
que ficam nas raízes da parte de cima da cabeça. "Ou seja, a moça com
tendência à calvície absorve mais hormônios do que as outras", sentencia
Bedin.
A evolução da queda é lenta, mas se torna mais intensa se houver alteração
hormonal, como a que ocorre em um quadro de síndrome dos ovários policísticos.
Em certas mulheres, a alopecia só se manifesta após a menopausa, quando
cessa a produção de hormônios femininos. Dificilmente fica-se careca por
completo, embora isso possa acontecer em casos mais graves.
A outra ocorrência comum de calvície é chamada de eflúvio telógeno, que
significa a queda acelerada e temporária dos fios. Em geral, é decorrente
de traumas emocionais. Porém, é provável que também esteja associada a
infecções, doenças da tireóide e dermatite seborréica (conhecida por caspa).
'Fórmulas
mágicas' adiam consulta médica
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Laboratório Galderma envolvendo
pacientes e dermatologistas, a primeira atitude de uma pessoa ao perceber
a queda é recorrer - erroneamente - à automedicação. Em busca de um 'pára-quedas',
aplicam-se loções e xampus específicos no couro cabeludo. Alguns pacientes
demonstram vulnerabilidade às soluções 'mágicas', sem muita eficácia e
baixa credibilidade. E só depois de tentarem de tudo, sozinhos, é que
decidem procurar ajuda médica. Apesar da vaidade e do fato de considerarem
a calvície preocupante, as mulheres costumam demorar meses e até anos,
por medo ou vergonha, para ir ao consultório. Já os homens buscam auxílio
em uma semana.
O tratamento da calvície feminina combina drogas tópicas e orais. Os
medicamentos mais usados são: o minoxidil; o 17-alfa-estradiol - uma espécie
de progesterona, o hormônio masculino; o hairactive, a auxina tricógena
e a tiolisina complex. "Eles podem cessar o processo e até melhorar o
aspecto geral dos fios, principalmente pelo seu engrossamento", diz a
dermatologista Denise Steiner (SP).
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