Viva Saúde
Edição 11 - Março/2004
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Mãe, minha barriga dói...
A queixa, muito comum na infância, não deve deixar de ser investigada. Associada a inúmeras doenças, pode significar de um simples ataque de gases até problemas como hepatite e pneumonia

POR ALEXSANDRA FARIAS
FOTO MÁRIO LEITE

Forte ou branda, permanente ou transitória, a dor de barriga é freqüente na infância e aparece associada a inúmeras doenças. Do ponto de vista médico, pode ser classificada em emergência clínica ou cirúrgica. O diagnóstico exige a avaliação de um pediatra ou gastropediatra. Selecionamos as dúvidas mais comuns nos consultórios, que agora são respondidas por grandes especialistas. Confira.

Quais as enfermidades que causam dor abdominal na criança?
Em geral é provocada por gases, inflamação de garganta, pneumonia, asma, bronquite, intoxicação e alergia alimentar, gastrite, úlcera, verminose, apendicite, cólica renal, pedra na vesícula biliar, traumatismos abdominais, infecções urinárias e intestinais (especialmente a salmonela), entre outras. "São mais de 100 doenças por trás da reclamação. Na criançada, as causas mais comuns estão relacionadas ao próprio aparelho digestivo - composto por boca, esôfago, estômago, fígado, vesícula biliar, pâncreas e intestinos delgado e grosso", diz o gastropediatra Mauro Batista de Morais, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que esse incômodo na barriga significa em cada idade?
Muitas doenças se manifestam com regularidade nas diferentes faixas etárias: bebê, pré-escolar (até os cinco anos) e escolar (a partir dos cinco anos). É muito comum, por exemplo, o bebê sentir cólica no primeiro trimestre de vida. "Uma forma de identificá-la é ficar de olho nos períodos em que a criança chora. A cólica geralmente aparece no final da tarde, acompanhada de movimentos de flexão das perninhas. E isso não tem ligação com qualquer patologia. Acredita-se que os gases sejam os responsáveis por esse estado doloroso", explica o gastropediatra Mauro Batista de Morais. O que se deve fazer nesses casos é massagear o abdômen e colocar uma bolsa de água quente, com calor suportável, além de observar a melhora do bebê. Já em pré-escolares e escolares, os motivos mais freqüentes de dores abdominais são prisão de ventre ou intolerância à proteína do leite de vaca (tanto na sua forma líquida como em pó).

Como diferenciar um 'ataque de gases' de algo mais sério?
A identificação é difícil. Geralmente, os gases surgem em conseqüência do intestino preso ou da ingestão de alimentos fermentáveis, como o feijão, brócolis e milho, entre outros. Sua manifestação não é abrupta e não aparece com outros sintomas. O pediatra Marco Aurélio Sáfadi (SP), do Hospital São Luiz, afirma que quadros mais graves - como apendicite, amidalite e doenças respiratórias - têm início súbito e estão acompanhados de outros sinais. "Procure atendimento imediato sempre que a dor surgir combinada de desidratação, febre, diarréia, vômito e piora do estado geral da criança".

Quando se preocupar com a dor de barriga?
O cuidado deve existir sempre. É comum pais interpretarem essa dorzinha como dengo ou mimo, quando na verdade pode revelar algo mais sério. Há sinais que sugerem maior gravidade. "A criança deve ser avaliada por um médico quando a dor se manifesta ao simples toque no abdômen ou for seguida por perda de peso, alteração do apetite, interferência no sono ou nas atividades diárias, vômitos, febre, diarréia e palidez. Muitas vezes, são indícios de patologias cirúrgicas", alerta a pediatra Lana Maria Néri, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Então alguns casos acabam em cirurgia?
Sim. No bebê, a operação costuma ser indicada quando o diagnóstico é de invaginação intestinal, popularmente conhecida por 'nó nas tripas'. Trata-se da introdução de uma parte do intestino dentro dele mesmo. Os sintomas são dramáticos e repentinos: fortes dores abdominais, vômitos, palidez, transpiração, gritos e evacuação sanguinolenta. É mais freqüente entre os quatro e sete meses de idade, sobretudo em crianças vítimas de infecção intestinal causada por vírus ou bactéria. "O sinal da infecção intestinal é a diarréia. Na diarréia, o movimento que o intestino faz para empurrar as fezes adiante fica muito acelerado e, às vezes, essa alteração provoca o distúrbio", explica o cirurgião pediatra Jovelino Quintino de Souza Leão (SP), do Hospital São Luiz. Vale esclarecer que, de acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde, é caracterizado quadro de diarréia quando se tem três ou mais evacuações com fezes moles ou líquidas no prazo de 12 horas ou uma única evacuação de fezes moles ou líquidas contendo sangue, muco ou pus. Já em crianças maiores, a apendicite (inflamação do apêndice) também leva à cirurgia. "A dor começa com uma intensidade leve e mal localizada, geralmente na região do umbigo ou na parte superior. No período de 6 a 12 horas, evolui para o lado direito na parte de baixo do abdômen. Vem acompanhada de febre (não muito alta na fase inicial) e vômitos. Às vezes a criança não consegue evacuar e a perna direita repuxa", diz o cirurgião Jovelino Leão.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.