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Edição 11 - Março/2004
 
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  O estresse e o mal de Parkinson
Um novíssimo estudo aponta que a tensão emocional influencia no desenvolvimento dessa doença neurológica, que afeta os movimentos e causa tremores no corpo

POR CACILDA GUERRA
FOTO MÁRIO LEITE
INTERFERÊNCIA GRÁFICA MARCELO GARCIA

Um indivíduo extremamente preocupado, exigente demais consigo mesmo, que vive para o trabalho, passou por períodos de tensão prolongados ou sofreu fortes abalos emocionais: esse é o perfil mais comum do portador do mal de Parkinson, distúrbio neurológico crônico e progressivo, que prejudica os movimentos e causa tremores por todo o corpo. A descrição é feita pelo médico Cícero Galli Coimbra, professor de Neurologia Experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que desde 2003 coordena um estudo sobre a doença.

Em um primeiro momento, a pesquisa esteve focada em um pequeno grupo de pessoas que se tratava no Hospital do Servidor Público Municipal, na capital paulista, revelando que os pao estresse e o mal de Parkinson Um novíssimo estudo aponta que a tensão emocional influencia no desenvolvimento dessa doença neurológica, que afeta os movimentos e causa tremores no corpo cientes tinham uma deficiência de vitamina B2 no sangue e ingeriam carne vermelha em excesso. A associação desses dois fatores foi a base do tratamento, que consistiu na reposição da vitamina e na eliminação da carne e seus derivados da dieta. Após três meses, a recuperação média da função motora passou de 44% para 70%.

O estudo prosseguiu e conta hoje com cerca de 600 indivíduos. "A novidade em relação àqueles dados preliminares, a ser apresentada em junho em um congresso sobre o mal de Parkinson em Berlim, na Alemanha, é a descoberta de que o estresse emocional também é fator de risco para a doença, até mais importante que o consumo excessivo de carne vermelha", conta o neurologista da Unifesp.

O tratamento, que agora inclui medidas de redução do estresse, como psicoterapia e incentivo para que os pacientes encarem a vida de maneira mais leve, tem dado bons resultados. Entre eles, o desaparecimento dos problemas urinários, dos pesadelos e das dificuldades de raciocínio que alguns indivíduos apresentam nos estágios finais da enfermidade. "De modo geral, os sintomas regridem até o que eram um ano antes de a pessoa começar a se tratar. Alguém que esteja doente há oito meses, por exemplo, passa a não apresentar mais nenhum sinal. Daí a importância do diagnóstico precoce", alerta Cícero Galli Coimbra.

COMO RECONHECER
 
Segundo o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e organizador do livro Conhecendo Melhor a Doença de Parkinson(ed. Summus), é difícil para o doente e a família identificarem a época exata em que surgiu o problema, já que este começa de maneira quase imperceptível. O primeiro sintoma pode ser um dos descritos a seguir:
 Cansaço ou mal-estar no fim do dia.
 Letra menor ou menos legível.
 Fala menos articulada.
 Depressão ou vontade de se isolar, sem motivo.
 Lapsos de memória.
 Dificuldade de concentração.
 Irritabilidade.
 Dores musculares, principalmente na região lombar.
 Menos movimento em uma dos braços ou em uma das pernas.
 Piscadas pouco freqüentes.
 Expressão facial rígida, 'congelada'.
 Lentidão nos movimentos.
 Permanência na mesma posição por muito tempo.
   

Tremores, movimentos lentos e fala monótona
Quando se fala em Parkinson, muita gente associa a doença apenas a tremores nas mãos. Mas ela abrange um conjunto de alterações bem mais amplo, a começar pelos tremores propriamente ditos, que podem aparecer também nas pernas, pés, cabeça, queixo e lábios. Os movimentos, por sua vez, ficam mais lentos, o que leva a pessoa a realizar as atividades comuns do dia-a-dia com menos rapidez e destreza do que quando era saudável. Como os gestos perdem a amplitude, a caligrafia diminui de tamanho. A rigidez muscular é outra manifestação do distúrbio, afetando braços, pernas e pescoço. A marcha se caracteriza por passos mais curtos que o normal e pelo arrastar dos calcanhares no chão, enquanto o corpo se inclina para a frente - e esse desequilíbrio na postura provoca quedas freqüentes. Sinais que não estão relacionados com o sistema motor também costumam surgir, como depressão, insônia, pesadelos, tonturas, cãibras nos pés, problemas urinários e dificuldades respiratórias. Além disso, a voz tende a se tornar mais fraca, e a fala, monótona.

A evolução da doença é lenta e os especialistas a dividem em cinco fases. Na primeira, aparecem tremores, rigidez muscular ou ambos em apenas um lado do corpo. Na segunda, os dois lados passam a apresentar os mesmos sintomas. Quando surge a terceira, o doente adota uma postura permanentemente curvada, perde o equilíbrio ao dar passos para trás e, quando está caminhando, não consegue mudar de direção com rapidez. A rigidez muscular na quarta fase chega a tal ponto que o indivíduo precisa de ajuda para comer e cuidar da higiene pessoal. Por fim, na última etapa, ele não é mais capaz de levantar sozinho da cama ou da cadeira, a não ser que use uma bengala ou um outro apoio.

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