Um
indivíduo extremamente preocupado, exigente demais consigo mesmo, que
vive para o trabalho, passou por períodos de tensão prolongados ou sofreu
fortes abalos emocionais: esse é o perfil mais comum do portador do mal
de Parkinson, distúrbio neurológico crônico e progressivo, que prejudica
os movimentos e causa tremores por todo o corpo. A descrição é feita pelo
médico Cícero Galli Coimbra, professor de Neurologia Experimental da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp), que desde 2003 coordena um estudo sobre
a doença.
Em um primeiro momento, a pesquisa esteve focada em um pequeno grupo
de pessoas que se tratava no Hospital do Servidor Público Municipal, na
capital paulista, revelando que os pao estresse e o mal de Parkinson Um
novíssimo estudo aponta que a tensão emocional influencia no desenvolvimento
dessa doença neurológica, que afeta os movimentos e causa tremores no
corpo cientes tinham uma deficiência de vitamina B2 no sangue e ingeriam
carne vermelha em excesso. A associação desses dois fatores foi a base
do tratamento, que consistiu na reposição da vitamina e na eliminação
da carne e seus derivados da dieta. Após três meses, a recuperação média
da função motora passou de 44% para 70%.
O estudo prosseguiu e conta hoje com cerca de 600 indivíduos. "A novidade
em relação àqueles dados preliminares, a ser apresentada em junho em um
congresso sobre o mal de Parkinson em Berlim, na Alemanha, é a descoberta
de que o estresse emocional também é fator de risco para a doença, até
mais importante que o consumo excessivo de carne vermelha", conta o neurologista
da Unifesp.
O tratamento, que agora inclui medidas de redução do estresse, como psicoterapia
e incentivo para que os pacientes encarem a vida de maneira mais leve,
tem dado bons resultados. Entre eles, o desaparecimento dos problemas
urinários, dos pesadelos e das dificuldades de raciocínio que alguns indivíduos
apresentam nos estágios finais da enfermidade. "De modo geral, os sintomas
regridem até o que eram um ano antes de a pessoa começar a se tratar.
Alguém que esteja doente há oito meses, por exemplo, passa a não apresentar
mais nenhum sinal. Daí a importância do diagnóstico precoce", alerta Cícero
Galli Coimbra.
COMO
RECONHECER |
| |
Segundo o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, professor da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e organizador do
livro Conhecendo Melhor a Doença de Parkinson(ed. Summus), é difícil
para o doente e a família identificarem a época exata em que surgiu
o problema, já que este começa de maneira quase imperceptível. O primeiro
sintoma pode ser um dos descritos a seguir:
Cansaço ou mal-estar no fim do dia.
Letra menor ou menos legível.
Fala menos articulada.
Depressão ou vontade de se isolar,
sem motivo.
Lapsos de memória.
Dificuldade de concentração.
Irritabilidade.
Dores musculares, principalmente na
região lombar.
Menos movimento em uma dos braços ou
em uma das pernas.
Piscadas pouco freqüentes.
Expressão facial rígida, 'congelada'.
Lentidão nos movimentos.
Permanência na mesma posição por muito
tempo. |
 |
 |
|
|
Tremores, movimentos lentos e fala monótona
Quando se fala em Parkinson, muita gente associa a doença apenas a tremores
nas mãos. Mas ela abrange um conjunto de alterações bem mais amplo, a
começar pelos tremores propriamente ditos, que podem aparecer também nas
pernas, pés, cabeça, queixo e lábios. Os movimentos, por sua vez, ficam
mais lentos, o que leva a pessoa a realizar as atividades comuns do dia-a-dia
com menos rapidez e destreza do que quando era saudável. Como os gestos
perdem a amplitude, a caligrafia diminui de tamanho. A rigidez muscular
é outra manifestação do distúrbio, afetando braços, pernas e pescoço.
A marcha se caracteriza por passos mais curtos que o normal e pelo arrastar
dos calcanhares no chão, enquanto o corpo se inclina para a frente - e
esse desequilíbrio na postura provoca quedas freqüentes. Sinais que não
estão relacionados com o sistema motor também costumam surgir, como depressão,
insônia, pesadelos, tonturas, cãibras nos pés, problemas urinários e dificuldades
respiratórias. Além disso, a voz tende a se tornar mais fraca, e a fala,
monótona.
A evolução da doença é lenta e os especialistas a dividem em cinco fases.
Na primeira, aparecem tremores, rigidez muscular ou ambos em apenas um
lado do corpo. Na segunda, os dois lados passam a apresentar os mesmos
sintomas. Quando surge a terceira, o doente adota uma postura permanentemente
curvada, perde o equilíbrio ao dar passos para trás e, quando está caminhando,
não consegue mudar de direção com rapidez. A rigidez muscular na quarta
fase chega a tal ponto que o indivíduo precisa de ajuda para comer e cuidar
da higiene pessoal. Por fim, na última etapa, ele não é mais capaz de
levantar sozinho da cama ou da cadeira, a não ser que use uma bengala
ou um outro apoio.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>