Viva Saúde
Edição 10 - Fevereiro/2005
 
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  Eutanásia: o direito de morrer ou de matar?
Apesar da existência de inúmeros recursos menos radicais para aliviar o sofrimento e prolongar a vida de pacientes terminais, o tema sempre vem à tona e ainda provoca acaloradas discussões

POR DANIELA TALAMONI

1 Afinal, o que significa eutanásia?
O termo vem do vocábulo grego, composto de 'eu' (bom, verdadeiro) e 'thanatos' (morte). Portanto, literalmente, seria a 'boa morte' ou a 'morte serena', sem sofrimento. Na prática, a palavra refere-se a ajudar um paciente debilitado e em estado terminal a pôr fim à vida, com a justificativa de que assim ele seria poupado de qualquer sofrimento desnecessário. Também é conhecida como suicídio assistido, mas nesse caso não seriam os médicos que, por exemplo, aplicariam uma injeção letal no doente. Ele mesmo, após instruções e com os aparelhos necessários, provocaria a própria morte. O ato, não importa a forma como possa ser praticado, é proibido na maioria dos países e dá margem a uma série de discussões éticas e jurídicas.

2 Por que o assunto é tão polêmico entre os médicos?
A morte é um tema bastante comum no universo da medicina. Diariamente, convivemos com essa situação e somos levados a aprender como lidar com o inevitável da melhor maneira possível. No entanto, quando se trata de discutir a eutanásia (ou seja, o ato de matar), isso pode gerar uma certa estranheza e até contradição. Afinal, todo médico, desde o primeiro ano de faculdade, é orientado a agir para preservar a vida humana. Por isso, ele aprende todas as técnicas e meios a fim de amenizar dores, controlar sintomas e curar doenças. Ninguém costuma discutir quais são as melhores formas de o paciente morrer e, sim, quais os melhores métodos de tratamento indicados a ele.

3 Em alguns casos a morte seria a melhor solução?
A importância de se manter a qualidade de vida e de preservar a dignidade humana é o princípio moral da eutanásia. Afinal, ninguém merece viver sofrendo durante anos em uma cama, desenganado pelos especialistas. Ocorre que hoje, com os recursos que existem, é inadmissível pensar em um doente agonizante. Seria simplista abreviar a vida desse indivíduo. A conduta médica no caso de um paciente terminal sempre foi um assunto pouco discutido nas faculdades de medicina e precisaria voltar ao debate. Quando se esgotam todas as possibilidades terapêuticas, existem inúmeros cuidados paliativos que podem - e deveriam - confortar o doente e a família. Nesse caso, vale desde a presença do médico junto ao doente e familiares até a sedação diária, internação domiciliar e apoio psicológico, humano e espiritual.

4 Viver anos sob o uso de sedativos representa alguma qualidade de vida?
Quando se trata do ser humano, fica difícil avaliar de imediato o que significa viver bem e com dignidade. Isso é algo muito subjetivo, que depende de vários fatores. Para muitas famílias, por exemplo, só o fato de o enfermo estar por perto, no ambiente familiar, já pode ser reconfortante.

 

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