1
Afinal, o que significa eutanásia?
O termo vem do vocábulo grego, composto de 'eu' (bom, verdadeiro) e 'thanatos'
(morte). Portanto, literalmente, seria a 'boa morte' ou a 'morte serena',
sem sofrimento. Na prática, a palavra refere-se a ajudar um paciente debilitado
e em estado terminal a pôr fim à vida, com a justificativa de que assim
ele seria poupado de qualquer sofrimento desnecessário. Também é conhecida
como suicídio assistido, mas nesse caso não seriam os médicos que, por
exemplo, aplicariam uma injeção letal no doente. Ele mesmo, após instruções
e com os aparelhos necessários, provocaria a própria morte. O ato, não
importa a forma como possa ser praticado, é proibido na maioria dos países
e dá margem a uma série de discussões éticas e jurídicas.
2 Por que o assunto é
tão polêmico entre os médicos?
A morte é um tema bastante comum no universo da medicina. Diariamente,
convivemos com essa situação e somos levados a aprender como lidar com
o inevitável da melhor maneira possível. No entanto, quando se trata de
discutir a eutanásia (ou seja, o ato de matar), isso pode gerar uma certa
estranheza e até contradição. Afinal, todo médico, desde o primeiro ano
de faculdade, é orientado a agir para preservar a vida humana. Por isso,
ele aprende todas as técnicas e meios a fim de amenizar dores, controlar
sintomas e curar doenças. Ninguém costuma discutir quais são as melhores
formas de o paciente morrer e, sim, quais os melhores métodos de tratamento
indicados a ele.
3 Em alguns casos a morte
seria a melhor solução?
A importância de se manter a qualidade de vida e de preservar a dignidade
humana é o princípio moral da eutanásia. Afinal, ninguém merece viver
sofrendo durante anos em uma cama, desenganado pelos especialistas. Ocorre
que hoje, com os recursos que existem, é inadmissível pensar em um doente
agonizante. Seria simplista abreviar a vida desse indivíduo. A conduta
médica no caso de um paciente terminal sempre foi um assunto pouco discutido
nas faculdades de medicina e precisaria voltar ao debate. Quando se esgotam
todas as possibilidades terapêuticas, existem inúmeros cuidados paliativos
que podem - e deveriam - confortar o doente e a família. Nesse caso, vale
desde a presença do médico junto ao doente e familiares até a sedação
diária, internação domiciliar e apoio psicológico, humano e espiritual.
4 Viver anos sob o uso
de sedativos representa alguma qualidade de vida?
Quando se trata do ser humano, fica difícil avaliar de imediato o que
significa viver bem e com dignidade. Isso é algo muito subjetivo, que
depende de vários fatores. Para muitas famílias, por exemplo, só o fato
de o enfermo estar por perto, no ambiente familiar, já pode ser reconfortante.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>