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Edição 10 - Fevereiro/2005
 
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  Engasgou? E agora?
Se o tapinha nas costas não adiantar, é preciso recorrer imediatamente a outras formas de socorro. Caso contrário, esse simples acidente de percurso pode bloquear a passagem do ar, provocar desmaio e até a morte

POR DANIELA TALAMONI
ILUSTRAÇÕES MARCELO GARCIA

Durante um happy hour com os amigos, alguém resolve fazer piadas bem na hora em que você engole um pedaço de pizza. Pronto! Você começa a tossir, ficar vermelho, seus olhos se enchem de lágrimas, a conversa é interrompida e logo aparece alguém para bater nas suas costas, levantar o seu braço, oferecer um copo de água ou mesmo para invocar São Brás, o protetor dos engasgados.

Felizmente, essas providências bem conhecidas e simples costumam ser suficientes para dar um basta no sofrimento. Afinal, a tosse constrangedora e involuntária que precede qualquer engasgo é por si só uma defesa natural e, geralmente, consegue em poucos segundos expulsar o alimento da garganta ou colocá-lo no caminho certo para o estômago, sem muito transtorno.

Contudo, quem já engasgou para valer com o alimento ou alguma bebida sabe que às vezes o susto pode ser maior. A faringe é a porta de entrada tanto da alimentação quanto da respiração no organismo. A comida e o ar, porém, devem seguir rumos bem diferentes. Para isso, são 'orientados' pela epiglote, uma espécie de tampa localizada na garganta, que abre e fecha, independentemente da nossa vontade. "Quando essa pequena estrutura está fechada, tudo o que é sólido ou líquido é encaminhado para o esôfago em direção ao estômago. Ao se abrir, é a vez de o ar partir para a laringe, passando pela traquéia até chegar aos pulmões", explica o gastroenterologista Stephan Geocze, chefe do Setor de Endoscopia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Vez ou outra essa engrenagem falha, a epiglote abre no momento errado e aquele pedaço de pizza, por exemplo, é desviado para a laringe, irritando-a e fazendo você engasgar. O problema é que, dependendo do jeito em que ocorre o engasgo e o tamanho do alimento ingerido, o ato de tossir não será suficiente para livrar a pessoa do sufoco.

Parece engasgo, mas não é
 
Quando o prato principal é peixe, não é raro pairar sobre a mesa um certo clima de tensão. Afinal, quem não tem medo de engasgar com a espinha? O fato é que, após a refeição, mesmo que nenhum acidente ocorra, pode ser que alguém reclame de uma sensação incômoda na garganta - que não passa, por mais que se coma um pedacinho de pão ou uma colher de arroz. De acordo com o gastroenterologista Stephan Geocze, essa sensação é semelhante ao engasgo, mas ocorre de maneira diferente e com transtornos menores para a vítima. "Nesse tipo de acidente, conhecido como entalo, o alimento desce pelo caminho correto, mas fica parado nas amídalas ou no esôfago, incomodando", explica. Quando isso ocorre, a retirada do resíduo deve ser feita por um médico e através da endoscopia. Assim, além de proporcionar alívio, fica também descartada a hipótese da presença de tumores na região que possam bloquear a passagem dos alimentos.
   

Evite maiores sustos
Nesse momento, enquanto a equipe de paramédicos não chega - sim, em alguns casos eles são necessários -, é importante que se façam algumas manobras de socorro o quanto antes (veja as ilustrações na próxima página). Caso contrário, o objeto do engasgo obstruirá a passagem do oxigênio para o aparelho respiratório de tal modo que poderá em pouco tempo provocar asfixia, desmaio e até a morte.

As crianças são as principais vítimas, mas, sem dúvida, pelo menos uma vez na vida alguém irá engasgar. Entre as inúmeras razões para isso estão os excessos alimentares ou de líquidos na boca, as próteses dentárias inadequadas e até a simples pressa ao engolir. A ansiedade, aliás, é considerada uma das principais vilãs e tem feito muita gente engasgar com a própria saliva, sem ter comido ou bebido nada.

Por outro lado, apesar de o engasgo ser algo tão comum quanto tropeçar na rua, é preciso ficar atento quando o episódio passa a ser freqüente, especialmente com o passar dos anos. "Existem várias doenças, como nódulos e cânceres de boca, faringe e do aparelho digestório ou respiratório, que podem provocar alterações anatômicas na garganta, aumentando a possibilidade de engasgo", alerta Stephan Geocze. Por isso, neste caso, depois de recuperar o fôlego, a recomendação é que se procure um médico especialista.

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