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"Venci a batalha contra um câncer" A advogada Luciana Smith, 28 anos, enfrentou quimioterapia, transplante de medula e depressão
No final de 1999, percebi um carocinho do lado direito do abdômen.
Achei estranho mas não dei importância, minhas preocupações
na época eram outras. Na verdade eu não estava bem, só
reclamava da vida e via qualquer problema como um imenso obstáculo.
Demorei um mês para notar que aquele gânglio tinha ficado do
tamanho de uma laranja. Levei um susto e então corri para um especialista.
Em pleno Natal, fiquei internada para a biópsia: era linfoma, um
tipo de câncer.
Não tinha outra saída que não encarar a quimioterapia,
o tratamento recomendado. Quando cheguei ao Hospital do Câncer (SP),
porém, a fatídica pergunta 'por que eu?' foi
inevitável. Depois de dois dias, tive febre e precisei ficar duas
semanas internada. No dia em que finalmente iria receber alta, meus cabelos
começaram a cair. Foi uma das piores coisas do tratamento. Não
tive dúvidas: raspei a cabeça e fiquei careca. Saí
do hospital com a peruca que ganhei das minhas amigas.
Estava no quarto ano de Direito e conciliava o curso com a quimio. No
meio do tratamento, os médicos precisaram aumentar a dose. Quase
morri por culpa dos efeitos colaterais, não conseguia comer e beber
nada. Cheguei a perder sete quilos. Também tive febre nesse período,
mas ocultava o fato porque não queria voltar ao hospital.
Um ano de luta
Entrei em depressão ao descobrir que precisava passar por um transplante
de medula. Porém, não desisti. Aliás, nunca achei
que o câncer me derrubaria. Retiraram células-mãe
da minha medula (que não foi atingida) para reimplantá-las
depois. Elas iriam produzir novas plaquetas e glóbulos, e isso
me curaria. O procedimento foi um sucesso. Era Natal de novo, exatamente
um ano após a biópsia. Saí do hospital no primeiro
dia de 2001, mais forte em todos os sentidos e pronta para celebrar a
minha vida nova!
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