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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Transtornos alimentares
A obsessão pelo corpo perfeito tem sido o principal gatilho para desencadear doenças, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Conheça as diferenças entre elas, os sinais de alerta e tratamentos mais recomendados, bem como as formas de prevenção

POR JUREMA APRILE
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Patrícia, de 135 kg, queimou os dedos no forno porque não agüentou esperar o bolo acabar de assar para devorá-lo. Ela sofre de compulsão alimentar. Ana Estela, 41 kg, parou de menstruar há três anos por falta de gordura corporal. Seu problema é anorexia nervosa. Cláudia, 67 kg, perdeu os dentes de tanto induzir o vômito depois de se empanturrar inúmeras vezes de pizza e chocolate. Um caso típico de bulimia nervosa.

AS MULHERES SÃO AS PRINCIPAIS
VÍTIMAS DESSES DISTÚRBIOS.
ELAS CORRESPONDEM
A 9O% DOS PACIENTES.
SEGUNDO ESPECIALISTAS,
A MAIORIA NÃO ADMITE ESTAR
DOENTE E DEMORA ATÉ CINCO ANOS
PARA BUSCAR TRATAMENTO

Os nomes são fictícios, mas os transtornos alimentares são reais e estão aumentando de forma assustadora em todo o planeta. Atualmente, cerca de 1% da população feminina mundial, de 18 a 40 anos, desenvolve uma relação doentia com a comida. Segundo uma pesquisa publicada na Revista de Nutrição, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, das 279 adolescentes entrevistadas em uma escola particular de São Paulo, 29% mostravam sinais de algum distúrbio alimentar: comiam demais (compulsão), não comiam nada (anorexia) ou exageravam nas refeições e em seguida vomitavam (bulimia).

Você vive encucado com a balança? Cuidado! Preocupação excessiva com o visual pode virar doença

Para Adriano Segal, diretor de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), não há como traçar um perfil da vítima de distúrbios alimentares. "Pessoas de todas as camadas sociais e graus de escolaridade são atingidas", garante.

Já se sabe, porém, que a maioria dos pacientes manifesta os primeiros sintomas no final da adolescência, entre os 16 e 19 anos, ou após os 40 anos, isso no caso das mulheres próximas da menopausa. Estudos com gêmeos idênticos separados ao nascer, adotados por famílias diferentes, e que vieram a desenvolver anorexia também indicam a possibilidade de uma predisposição genética. E, segundo especialistas, quase todos os doentes apresentam ainda histórico familiar de algum transtorno obsessivo compulsivo, podendo estar relacionado ou não à alimentação.

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