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Homeopatia
O
início da terapia
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Os princípios da homeopatia (palavra derivada do grego homoios,
que quer dizer 'semelhante', e páthos, 'sofrimento') encontram-se
em uma tese muito antiga, formulada por Hipócrates, o pai da medicina,
no século IV a.C. Ele pregava que existem três maneiras de obter
a cura: pelos idênticos, pelos contrários e pelos semelhantes. Mas
foi o médico alemão Christian Samuel Hahnemann, no final do século
18, quem formatou as idéias dessa prática terapêutica, que consiste
em prescrever a um doente, sob uma forma muito diluída e dinamizada,
uma substância capaz de produzir efeitos semelhantes aos que ele
apresenta. Naquela época, abrir veias para o paciente sangrar, dar
purgantes e vomitórios eram as normas de saúde vigentes. Pretendia-se
com isso eliminar o mal, expulsando o material ofensivo que o causava.
Hahnemann rejeitou a idéia, argumentando que o tratamento deveria
ajudar a força vital a restaurar a harmonia e o equilíbrio do organismo.
E buscou uma solução testando algumas teorias na própria pele.
Sua primeira experiência se deu em 1790, com o quinino, planta
utilizada para combater a malária. Ele medicou-se com o produto
durante vários dias e, como resultado, começou a apresentar os sinais
da doença. Daí surgiu a idéia-chave da homeopatia: a droga que provoca
os sintomas de um mal em uma pessoa sadia podia ser usada para tratar
doenças com as mesmas características. Os estudos continuaram nos
anos seguintes, tendo como 'cobaias' também sua família e seus amigos.
Com base nessas observações, publicou em 1810 o livro Organum Therapeuticum,
que estabelece as idéias da medicina homeopática. "Essa nova medicina
era mais humana e tinha menor probabilidade de provocar danos do
que várias das técnicas convencionais", conta o homeopata Paulo
Luiz Farber, presidente da Associação Brasileira de Medicina Complementar
e professor do curso de Naturologia da Universidade Anhembi-Morumbi,
em São Paulo. |
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A
memória da água |
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Para os homeopatas, a água tem uma capacidade de 'memória' e a ação
biológica do remédio se deve a essa informação remanescente. Uma
tese da química Maria Eugênia Garcia Porto, na Unicamp, comprovou
essa memória da água ou sua capacidade de reter informações ao deixar
um vidro de remédio perto de um vidro com água com imãs entre os
dois. Depois de um certo espaço de tempo, a água ficou com as propriedades
do remédio, mesmo sem uma partícula da substância ativa na água.
O imunologista francês Jacques Benveniste, em artigo na revista
Nature, em 1988, propôs que o processo de dinamização fazia
a água mudar. "A memória da água foi comprovada por outros estudos
europeus", diz o médico Paulo Rosembaum, diretor do departamento
científico da Escola Paulista de Homeopatia.
Uma outra pesquisa internacional, em 2001, envolvendo cinco universidades
européias, chegou a resultados que podem trazer, pela primeira vez,
base científica à homeopatia. O trabalho foi publicado na revista
científica Inflammation Research. Uma das chefes da experiência,
a médica Madeleine Ennis, professora da Queen's University, em Belfast,
Irlanda do Norte, confessa que não é fã da homeopatia - mas acabou
comprovando a capacidade da água reter informações, embora ninguém
ainda saiba como isso acontece.
As pesquisas puras sobre este tema ainda são muito controvertidas.
Rosembaum, pesquisador da USP, busca conciliar o modo como a homeopatia
encara a saúde e a enfermidade e um método para verificar o efeito.
Segundo ele, um dos mitos a ser combatido é de que é preciso acreditar
na terapêutica para o tratamento fazer efeito. "Basta ingerir a
medicação. Funciona até em pessoas céticas", acredita ele.
Assim, a diluição não significa perda de eficácia:
para os homeopatas é exatamente o oposto, quanto mais dinamizado
(diluído) mais forte o remédio. Um desses estudos,
publicado em 1997 na revista médica inglesa The Lancet,
comparou os resultados de 89 ensaios clínicos e concluiu
que os medicamentos homeopáticos são, no mínimo,
duas vezes e meia mais eficazes do que os placebos – tratamentos
neutros, como pílulas de farinha.
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