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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Pronto-socorro sexual
Ausência de desejo, disfunção erétil, dificuldade para alcançar o orgasmo... Esses são alguns dos fantasmas que rondam a vida e prejudicam a saúde de homens e mulheres de todas as idades. Felizmente, existem medicamentos e tratamentos cada vez mais eficazes

POR HELOÍSA NORONHA
FOTOMONTAGENS MARCELO GARCIA

O tempo todo recebemos estímulos sexuais, vindos das mais diferentes direções: dos anúncios das revistas, dos comerciais de televisão, das novelas, do cinema, da música, dos outdoors espalhados pelas ruas. Nunca o mundo - e principalmente o Brasil, país considerado caliente - foi tão sexual. Passamos por uma evolução considerável, levando em conta que, no início do século XX, a sexualidade era um tabu, digno de vergonha. Atualmente, conversa-se abertamente sobre preferências e práticas. Ou quase isso. Afinal, em uma rodinha de amigos, ainda é difícil ouvir alguém confessar que sente dificuldade para atingir o orgasmo ou segurar a ejaculação na hora do ato.

O lançamento do Viagra, a primeira pílula contra disfunção erétil em 1998, constitui uma espécie de marco nessa área. A indústria farmacêutica voltou seu olhar para as questões sexuais - e para o prazer - e o constrangimento em abordar o assunto, pelo menos nos meios de comunicação, diminuiu. Ainda bem. Segundo pesquisas recentes, mais de 150 milhões de homens em todo o mundo possuem algum nível de disfunção erétil (DE). Estima-se que um número maior que 11 milhões de brasileiros tenha dificuldade de ereção. Um estudo conduzido no ano de 2004 pelo Laboratório de Epidemiologia Molecular e Bioestatística da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Salvador (BA) e pela Pfizer envolveu 77 mil homens de 24 estados e teve como tema a disfunção erétil. O resultado apontou que 65,6% dos entrevistados apresentavam algum grau da doença. Outras estatísticas revelam que de cada 10 brasileiras, cinco admitem possuir algum problema de ordem sexual.

Confiança e bem-estar

São números alarmantes, principalmente se levarmos em conta que na década de 90, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o sexo na lista dos parâmetros utilizados para definir a qualidade de vida de uma pessoa. Uma sexualidade sadia traz grandes benefícios, como a diminuição do estresse e da ansiedade e o retardamento do processo de envelhecimento. A vida sexual freqüente e adequada permite ainda uma existência mais feliz, fornecendo meios de a pessoa se sentir realizada e emocionalmente equilibrada. Além disso, traz aos casais um grau satisfatório de comunicação afetiva, mantendo-os unidos. "O sexo é algo muito importante, porque é o momento mais íntimo e de maior emoção que o ser humano vive, no qual ele é instintivo, puro, e pode se mostrar plenamente. E o orgasmo libera oxitocina, o hormônio ligado à confiança, que aumenta o vínculo com o parceiro", diz a ginecologista e terapeuta gaúcha Jaqueline Brendler, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash).

Em seu livro Descobrimento Sexual do Brasil (Editora Summus), fruto de uma parceria com o laboratório Lilly, a psiquiatra Carmita Abdo, de São Paulo (SP), também divulgou os resultados de uma pesquisa - o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, feito em 2003 -, que ouviu 7.103 homens e mulheres das cinco regiões do país. Entre os dados significativos está o fato de que as áreas da vida mais prejudicadas por uma dificuldade sexual são a autoestima e o amor próprio. E os efeitos são devastadores. "A disfunção provoca a perda da confiança em si e a insegurança conjugal ou no namoro. Diante desse transtorno, por exemplo, por não saber que pode ser um problema de saúde, muita gente passa a duvidar do amor ou da fidelidade alheia", completa Jaqueline Brendler. Há ainda o risco de o doente somatizar a complicação sexual, apresentando dores de cabeça, enfermidades gastrointestinais e até depressão.

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