O
tempo todo recebemos estímulos sexuais, vindos das mais diferentes direções:
dos anúncios das revistas, dos comerciais de televisão, das novelas, do
cinema, da música, dos outdoors espalhados pelas ruas. Nunca o mundo -
e principalmente o Brasil, país considerado caliente - foi tão sexual.
Passamos por uma evolução considerável, levando em conta que, no início
do século XX, a sexualidade era um tabu, digno de vergonha. Atualmente,
conversa-se abertamente sobre preferências e práticas. Ou quase isso.
Afinal, em uma rodinha de amigos, ainda é difícil ouvir alguém confessar
que sente dificuldade para atingir o orgasmo ou segurar a ejaculação na
hora do ato.
O lançamento do Viagra, a primeira pílula contra disfunção erétil em
1998, constitui uma espécie de marco nessa área. A indústria farmacêutica
voltou seu olhar para as questões sexuais - e para o prazer - e o constrangimento
em abordar o assunto, pelo menos nos meios de comunicação, diminuiu. Ainda
bem. Segundo pesquisas recentes, mais de 150 milhões de homens em todo
o mundo possuem algum nível de disfunção erétil (DE). Estima-se que um
número maior que 11 milhões de brasileiros tenha dificuldade de ereção.
Um estudo conduzido no ano de 2004 pelo Laboratório de Epidemiologia Molecular
e Bioestatística da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Salvador (BA) e
pela Pfizer envolveu 77 mil homens de 24 estados e teve como tema a disfunção
erétil. O resultado apontou que 65,6% dos entrevistados apresentavam algum
grau da doença. Outras estatísticas revelam que de cada 10 brasileiras,
cinco admitem possuir algum problema de ordem sexual.

Confiança e bem-estar
São números alarmantes, principalmente se levarmos em conta que na década
de 90, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o sexo na lista dos
parâmetros utilizados para definir a qualidade de vida de uma pessoa.
Uma sexualidade sadia traz grandes benefícios, como a diminuição do estresse
e da ansiedade e o retardamento do processo de envelhecimento. A vida
sexual freqüente e adequada permite ainda uma existência mais feliz, fornecendo
meios de a pessoa se sentir realizada e emocionalmente equilibrada. Além
disso, traz aos casais um grau satisfatório de comunicação afetiva, mantendo-os
unidos. "O sexo é algo muito importante, porque é o momento mais íntimo
e de maior emoção que o ser humano vive, no qual ele é instintivo, puro,
e pode se mostrar plenamente. E o orgasmo libera oxitocina, o hormônio
ligado à confiança, que aumenta o vínculo com o parceiro", diz a ginecologista
e terapeuta gaúcha Jaqueline Brendler, presidente da Sociedade Brasileira
de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash).
Em seu livro Descobrimento Sexual do Brasil (Editora Summus),
fruto de uma parceria com o laboratório Lilly, a psiquiatra Carmita Abdo,
de São Paulo (SP), também divulgou os resultados de uma pesquisa - o Estudo
da Vida Sexual do Brasileiro, feito em 2003 -, que ouviu 7.103 homens
e mulheres das cinco regiões do país. Entre os dados significativos está
o fato de que as áreas da vida mais prejudicadas por uma dificuldade sexual
são a autoestima e o amor próprio. E os efeitos são devastadores. "A disfunção
provoca a perda da confiança em si e a insegurança conjugal ou no namoro.
Diante desse transtorno, por exemplo, por não saber que pode ser um problema
de saúde, muita gente passa a duvidar do amor ou da fidelidade alheia",
completa Jaqueline Brendler. Há ainda o risco de o doente somatizar a
complicação sexual, apresentando dores de cabeça, enfermidades gastrointestinais
e até depressão.
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