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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Drogas entender para combater
A informação é a arma mais poderosa contra essas substâncias que levam à dependência e trazem sérios riscos à saúde. A seguir, confira tudo o que você precisa saber sobre o assunto

ILUSTRAÇÃO MARCELO GARCIA

Fotos: Símbolo Images, Outras Imagens Licenciamento de Imagens Ltda e KeystoneAs drogas existem desde que o mundo é mundo. Há milhares de anos o homem se vale de substâncias que alteram a consciência em rituais sagrados, ocasiões sociais, ou mesmo por recreação. Um dos mais antigos registros de que se tem notícia são resíduos de vinho em uma jarra encontrada no norte do Irã que, segundo os arqueólogos, tem mais de 7 mil anos. Os chineses conhecem a maconha há cerca de 6 mil anos e existem registros de uso de ópio pelos Sumérios, povo que habitava a região onde se localiza atualmente o Iraque, que datam de 3500 a.C. Ter conhecimento da história dos entorpecentes é importante para entender a relação deles com o ser humano e por que são consumidos. Da mesma forma que nossos antepassados descobriam e faziam uso desses recursos alucinógenos, o homem moderno desenvolve novas drogas (as sintéticas como o LSD e Ecstasy) e as consome. A diferença é que hoje temos mais informações sobre os danos que eles podem causar no organismo. E esse assunto, sempre preocupante, precisa ser debatido de maneira séria e responsável. Veja em seguida as informações mais relevantes sobre o tema.

ÁLCOOL  CIGARRO  ANFETAMINAS  TRANQÜILIZANTES  INALANTES MACONHA  COCAÍNA  CRACK  LSD  ECSTASY

DROGAS LÍCITAS
As substâncias que alteram o funcionamento normal do organismo podem ser consumidas por via oral, inaladas ou injetadas no corpo, e nem todas são proibidas

A ingestão de álcool provoca mudanças no comportamento, que vão de uma leve euforia à completa desorientação
Álcool
Aceito praticamente no mundo inteiro, o álcool é considerado uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento ao ser ingerido. Inicialmente, quem bebe sente uma leve euforia, que evolui para tonturas, falta de coordenação motora, confusão, desorientação e anestesia momentânea, podendo chegar ao estupor e ao coma. A bebida pode causar problemas graves em diversos órgãos do corpo quando utilizada em altas doses por um período prolongado. As principais doenças relacionadas ao alcoolismo são gastrites e úlceras (estômago), hepatites tóxicas e cirrose hepática (fígado), pancreatite (pâncreas), lesões cerebrais, demência e diminuição da força muscular das pernas (sistema nervoso), miocardites, infarto, hipertensão e derrames cerebrais (sistema circulatório) e impotência e infertilidade (sistema reprodutor).

Cigarro
A nicotina é a droga psicoativa mais utilizada no planeta. Está presente no tabaco, planta nativa das Américas, e industrializada na forma de cigarro, cigarrilha e charuto, mas também consumida como cigarro artesanal, fumo de corda e rapé (mascado ou aspirado). Trata-se de um estimulante leve. O primeiro trago na vida de uma pessoa costuma provocar tontura, formigamento e alterações discretas do humor e do estado de vigília. Com o tempo, os efeitos deixam de ser percebidos, porque o organismo passa a tolerar a substância, que tem alto potencial de dependência química. O uso prolongado predispõe a distúrbios no coração e na circulação, como hipertensão, entupimento dos vasos e infarto, além de ser o principal responsável por diversos tipos de câncer, especialmente os de pulmão, boca, esôfago, estômago e garganta. Também aumenta o risco de acidente vascular cerebral (derrame), pneumonia e enfisema pulmonar.

Anfetaminas
As anfetaminas são drogas sintéticas, estimulantes do sistema nervoso. Têm status de remédios (como os moderadores de apetite para emagrecimento, por exemplo) que passam a ser utilizados de forma inadequada. Essas substâncias causam, além da inibição do sono e da fome, elevação do estado de alerta e instabilidade de humor, dilatação da pupila, taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos) e aumento da pressão arterial. Possuem grande poder de dependência química e ocasionam depressão e exaustão após longos períodos de uso, assim como infarto e convulsão. Há relatos, também, de usuários que passaram a sofrer problemas psicológicos que antes não tinham, como paranóia e alucinações. Quando consumidos com bebidas alcoólicas, são capazes de levar a pessoa ao coma e à morte.

Tranqüilizantes
Em geral, são obtidos em farmácias, mas sempre com receita médica. Provocam um estado de sonolência, aliviando tensões e ansiedade. O uso em doses excessivas causa tonturas, confusão mental (delírios), falta de coordenação motora, alterações psicológicas e insuficiência respiratória. A memória fica prejudicada e corre o risco de ser afetada permanentemente em caso de consumo prolongado. Paradas respiratórias e cardíacas são os perigos para aqueles que utilizam tranqüilizantes injetáveis incorretamente. E, assim como as anfetaminas, esse tipo de droga tem seus efeitos potencializados quando associado ao álcool.

Inalantes e solventes
Existem vários produtos comerciais - como esmalte de unha, cola de sapateiro, removedores de tinta e acetona - que contêm essas substâncias. Tornam-se perigosos quando utilizados indevidamente, ou seja, inalados. Há ainda outros tipos, como o lança-perfume (mistura de clorofórmio e éter) que, tempos atrás, era socialmente aceito e largamente usado nos carnavais, mas hoje proibido por lei. O teor de toxicidade de inalantes e solventes é alto: eles são capazes de causar depressão e convulsões, também conduzindo ao coma e à morte. As células cerebrais (neurônios) ficam bastante afetadas pelo uso contínuo e prolongado - e as lesões muitas vezes tornam-se irreversíveis. A inalação dessas substâncias gera taquicardia, podendo provocar parada do coração, além de lesões na medula óssea, nos rins, no fígado e nos nervos periféricos que controlam a musculatura. O contato com o líquido ainda pode levar a queimaduras na pele e no interior dos órgãos (boca, língua, traquéia).

Anabolizantes
Muitos jovens, desapontados com os lentos resultados dos exercícios físicos, passam a fazer uso dessas substâncias para ganhar massa muscular e aumentar a resistência física. A venda dessas drogas é restrita - em geral elas são versões sintéticas do hormônio masculino testosterona, usadas em estágios avançados de câncer, por exemplo, para ajudar o paciente a ganhar peso. Várias farmácias vendem sem exigir receitas médicas, tornando-as de fácil acesso. O consumo indevido, no entanto, traz inúmeros problemas ao usuário, dos mais simples (espinhas, oleosidade na pele e aumento de pêlos) aos mais graves (câncer no pâncreas e nos testículos e distúrbios cardíacos).

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