Além de preparar óvulos, o ovário tem a nobre função de fabricar os
hormônios que regulam o ciclo menstrual feminino, o estrogênio e a progesterona.
Essa indústria segue a pleno vapor até os 40 anos, quando sua capacidade
de funcionamento começa a decair, gradualmente, quase sempre sem fazer
alarde. Na primeira fase, há uma diminuição dos níveis de progesterona;
na seguinte, falhas na produção de estrogênio acarretam alterações menstruais.
Por volta dos 50 anos, enfim, ela chega: a menopausa. E, então, encerra-se
a atividade ovariana e o sangramento.
Muitas mulheres encaram o fato como carta de alforria e alívio pelo término
definitivo 'daqueles dias'. Porém, nem todas passam por essa fase com
serenidade e precisam de auxílio médico. "Afinal, o estrogênio age de
maneira universal no organismo feminino, regendo o sistema nervoso, a
sexualidade, o sono, os ossos, a vitalidade, entre outros", diz Mauro
Abi Haidar, chefe do Setor de Ginecologia Endócrina e Climatério da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp).
O
que acontece... |
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...a curto prazo
Cerca de 80% das mulheres apresentam ondas de calor, sudorese, interrupções
do sono, irritabilidade, depressão e falta de concentração no período
que vai de um a dois anos antes a um a dois anos depois da última
menstruação espontânea.
...a médio prazo
A pele torna-se seca e quebradiça; a vagina sofre atrofias, perde
elasticidade e defesas locais, surge dor nas relações sexuais; a
bexiga fica vulnerável à urgência urinária e às infecções. Esses
sinais aparecem de três a cinco anos após o aparecimento da menopausa.
...a longo prazo
Passados mais de 10 anos, sobe a incidência de doenças do coração,
osteoporose e Alzheimer. |
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Esforço de adaptação
Dois anos antes do último sangramento, surgem os primeiros sinais de que
os ovários estão prestes a se aposentar. Esse tempo é conhecido por pré-menopausa,
a fase mais importante da perimenopausa, período que engloba um a dois
anos antes e um a dois anos depois da menopausa.
É nesse intervalo que o organismo feminino realiza um esforço para se
adaptar ao racionamento hormonal. A pele e os cabelos perdem o vigor,
a vagina torna-se menos lubrificada, os ossos ficam mais suscetíveis à
degeneração (osteoporose) e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.
Há quem compare a etapa à adolescência: da mesma forma que a entrada dos
hormônios provoca um turbilhão no corpo da garota, sua saída pode ocasionar
mal-estar físico e instabilidade emocional na mulher madura.
O que mais influencia a idade da parada da menstruação é o fator genético.
Se, por exemplo, a mãe teve uma menopausa precoce (antes dos 40 anos),
a filha também é forte candidata a ter. Até hoje não existe comprovação
científica de que algo possa adiar a aposentadoria dos ovários.
Um mau hábito, porém, pode antecipar em até dois anos a menopausa: o
cigarro. Ele prejudica a integridade das artérias, comprometendo o fluxo
sangüíneo, os ovários, entre outros danos. A cirurgia de retirada do útero
(histerectomia) também é capaz de adiantar essa fase, caso os ovários
tenham sido removidos na intervenção.
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