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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Menopausa
O fim da menstruação mexe com o corpo e a cabeça da mulher. Saiba como enfrentar esse período de transição da melhor maneira possível

Além de preparar óvulos, o ovário tem a nobre função de fabricar os hormônios que regulam o ciclo menstrual feminino, o estrogênio e a progesterona. Essa indústria segue a pleno vapor até os 40 anos, quando sua capacidade de funcionamento começa a decair, gradualmente, quase sempre sem fazer alarde. Na primeira fase, há uma diminuição dos níveis de progesterona; na seguinte, falhas na produção de estrogênio acarretam alterações menstruais. Por volta dos 50 anos, enfim, ela chega: a menopausa. E, então, encerra-se a atividade ovariana e o sangramento.

Muitas mulheres encaram o fato como carta de alforria e alívio pelo término definitivo 'daqueles dias'. Porém, nem todas passam por essa fase com serenidade e precisam de auxílio médico. "Afinal, o estrogênio age de maneira universal no organismo feminino, regendo o sistema nervoso, a sexualidade, o sono, os ossos, a vitalidade, entre outros", diz Mauro Abi Haidar, chefe do Setor de Ginecologia Endócrina e Climatério da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que acontece...
 

...a curto prazo
Cerca de 80% das mulheres apresentam ondas de calor, sudorese, interrupções do sono, irritabilidade, depressão e falta de concentração no período que vai de um a dois anos antes a um a dois anos depois da última menstruação espontânea.

...a médio prazo
A pele torna-se seca e quebradiça; a vagina sofre atrofias, perde elasticidade e defesas locais, surge dor nas relações sexuais; a bexiga fica vulnerável à urgência urinária e às infecções. Esses sinais aparecem de três a cinco anos após o aparecimento da menopausa.

...a longo prazo
Passados mais de 10 anos, sobe a incidência de doenças do coração, osteoporose e Alzheimer.

   

Esforço de adaptação
Dois anos antes do último sangramento, surgem os primeiros sinais de que os ovários estão prestes a se aposentar. Esse tempo é conhecido por pré-menopausa, a fase mais importante da perimenopausa, período que engloba um a dois anos antes e um a dois anos depois da menopausa.

É nesse intervalo que o organismo feminino realiza um esforço para se adaptar ao racionamento hormonal. A pele e os cabelos perdem o vigor, a vagina torna-se menos lubrificada, os ossos ficam mais suscetíveis à degeneração (osteoporose) e aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Há quem compare a etapa à adolescência: da mesma forma que a entrada dos hormônios provoca um turbilhão no corpo da garota, sua saída pode ocasionar mal-estar físico e instabilidade emocional na mulher madura.

O que mais influencia a idade da parada da menstruação é o fator genético. Se, por exemplo, a mãe teve uma menopausa precoce (antes dos 40 anos), a filha também é forte candidata a ter. Até hoje não existe comprovação científica de que algo possa adiar a aposentadoria dos ovários.

Um mau hábito, porém, pode antecipar em até dois anos a menopausa: o cigarro. Ele prejudica a integridade das artérias, comprometendo o fluxo sangüíneo, os ovários, entre outros danos. A cirurgia de retirada do útero (histerectomia) também é capaz de adiantar essa fase, caso os ovários tenham sido removidos na intervenção.

E O SEXO, COMO FICA?
 

"Infelizmente, a libido e a atividade sexual diminuem conforme a mulher envelhece, mas isso não significa o fim do prazer", diz o ginecologista e terapeuta sexual, Amaury Mendes Jr. (SP). As queixas mais comuns são a perda da libido, vagina seca, dor durante o sexo e falta de orgasmo. E muitos casais se afastam por causa disso. Mas cremes vaginais de uso local à base de estrogênio podem ajudar na lubrificação, facilitando o ato.

   

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