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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Câncer
Existem mais de 800 tipos de tumor - entre eles os mais comuns são de pulmão, de mama, de pele e de próstata. Muitos crescem sem dar o menor sinal. Por isso, a prevenção e a detecção precoce do mal são as melhores maneiras de controlar a incidência da mais temida das doenças

ILUSTRAÇÕES MARCELO GARCIA

Todos os órgãos do corpo são compostos de células que crescem e se multiplicam continuamente de maneira ordenada e controlada. Essa multiplicação é a responsável pelo bom funcionamento do organismo. Um desarranjo nesse 'mecanismo' faz com que as células se dividam e aumentem desorganizadamente - de forma quase sempre incontrolável e degenerativa. O acúmulo dessas células gera tumores malignos: isto é câncer.

De acordo com o resultado do mais recente Relatório Mundial do Câncer, estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença mata, a cada ano, 10 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão ligado ao Ministério da Saúde, dão conta que 405 mil pessoas receberam o diagnóstico de câncer em 2003. E 130 mil morreram vítimas desse mal em todo o país no mesmo período - o que significa 30% de todos os óbitos ocorridos por doença.

O câncer desarranja o mecanismo de multiplicação normal das células, fazendo com que elas se dividam de forma quase sempre incontrolável e degenerativa

O Hospital do Câncer de São Paulo, de seu lado, aponta números mais alarmantes. Ao seguir o mesmo critério de contagem utilizado pela OMS, segundo o qual a incidência de casos anuais da doença na população mundial gira em torno de 0,6% e 1%, a entidade calcula que mais de um milhão de novos diagnósticos de câncer são registrados (boa parte deles sem qualquer notificação) anualmente no Brasil.

O FUMO E A BEBIDA REPRESENTAM OS MAIORES RISCOS PARA A DOENÇA

Os principais causadores
Fatores genéticos:
todo câncer tem origem genética. A pessoa pode herdar dos pais a predisposição para desenvolver o mal. Mas calcula-se que apenas 10% dos tumores estão relacionados aos genes recebidos deles. Sabe-se, entretanto, que 15% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em mulheres que têm parentes com histórico da doença (mãe, irmã, filha). Quando o aspecto hereditário é também associado à exposição aos agentes cancerígenos, as chances de desenvolvimento aumentam 10%. Assim, uma mulher fumante que é filha, irmã ou sobrinha de alguém com câncer de mama tem cerca de 25% de possibilidade de também contrair a doença.

Estilo de vida: os médicos alertam que quase 80% dos tumores malignos estão associados exclusivamente aos nossos hábitos diários. Desenvolvem- se mesmo em quem teve a sorte de nascer sem o 'dispositivo' que aumenta o risco de surgimento da doença. Nesses casos, quem aperta o gatilho é a própria pessoa. Como? Expondo- se aos agentes cancerígenos, entre eles fumo, álcool, sedentarismo, dieta rica em gordura animal...

Tempo e idade: o aparecimento do câncer está relacionado à intensidade e ao tempo de exposição que as células tiveram contato com os agentes cancerígenos. Assim, o perigo de uma pessoa desenvolver tumor de pulmão, por exemplo, é proporcional ao número de cigarros que ela fuma por dia e ao número de anos que vem fumando. A idade é outro fator comprovado. Quanto mais velho o indivíduo, mais é possível que desenvolva algum tipo de tumor. Isso se dá por dois motivos: o envelhecimento transforma as células e aumenta seus riscos de desenvolver um crescimento desordenado e maligno. As células das pessoas de mais idade passam mais tempo expostas à ação dos agentes externos causadores da doença - fumo, álcool, gordura animal, radiações químicas, sol. A contrapartida: como nos mais velhos as células se multiplicam mais vagarosamente, os tumores também seguem esse ritmo - mais lento, ou seja, demoram um tempo maior para crescer.

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