Todos os órgãos do corpo são compostos de células que crescem e se
multiplicam continuamente de maneira ordenada e controlada. Essa multiplicação
é a responsável pelo bom funcionamento do organismo. Um desarranjo nesse
'mecanismo' faz com que as células se dividam e aumentem desorganizadamente
- de forma quase sempre incontrolável e degenerativa. O acúmulo dessas
células gera tumores malignos: isto é câncer.
De acordo com o resultado do mais recente Relatório Mundial do Câncer,
estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença mata,
a cada ano, 10 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estimativas
do Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão ligado ao Ministério da
Saúde, dão conta que 405 mil pessoas receberam o diagnóstico de câncer
em 2003. E 130 mil morreram vítimas desse mal em todo o país no mesmo
período - o que significa 30% de todos os óbitos ocorridos por doença.
| O
câncer desarranja o mecanismo de multiplicação normal das células,
fazendo com que elas se dividam de forma quase sempre incontrolável
e degenerativa |
O Hospital do Câncer de São Paulo, de seu lado, aponta números mais alarmantes.
Ao seguir o mesmo critério de contagem utilizado pela OMS, segundo o qual
a incidência de casos anuais da doença na população mundial gira em torno
de 0,6% e 1%, a entidade calcula que mais de um milhão de novos diagnósticos
de câncer são registrados (boa parte deles sem qualquer notificação) anualmente
no Brasil.
 |
| O FUMO E A BEBIDA REPRESENTAM OS MAIORES RISCOS PARA A DOENÇA |
Os principais causadores
Fatores genéticos: todo câncer tem origem genética. A pessoa
pode herdar dos pais a predisposição para desenvolver o mal. Mas calcula-se
que apenas 10% dos tumores estão relacionados aos genes recebidos deles.
Sabe-se, entretanto, que 15% dos casos de câncer de mama são diagnosticados
em mulheres que têm parentes com histórico da doença (mãe, irmã, filha).
Quando o aspecto hereditário é também associado à exposição aos agentes
cancerígenos, as chances de desenvolvimento aumentam 10%. Assim, uma mulher
fumante que é filha, irmã ou sobrinha de alguém com câncer de mama tem
cerca de 25% de possibilidade de também contrair a doença.
Estilo de vida: os médicos alertam que quase 80% dos
tumores malignos estão associados exclusivamente aos nossos hábitos diários.
Desenvolvem- se mesmo em quem teve a sorte de nascer sem o 'dispositivo'
que aumenta o risco de surgimento da doença. Nesses casos, quem aperta
o gatilho é a própria pessoa. Como? Expondo- se aos agentes cancerígenos,
entre eles fumo, álcool, sedentarismo, dieta rica em gordura animal...
Tempo e idade: o aparecimento do câncer está relacionado
à intensidade e ao tempo de exposição que as células tiveram contato com
os agentes cancerígenos. Assim, o perigo de uma pessoa desenvolver tumor
de pulmão, por exemplo, é proporcional ao número de cigarros que ela fuma
por dia e ao número de anos que vem fumando. A idade é outro fator comprovado.
Quanto mais velho o indivíduo, mais é possível que desenvolva algum tipo
de tumor. Isso se dá por dois motivos: o envelhecimento transforma as
células e aumenta seus riscos de desenvolver um crescimento desordenado
e maligno. As células das pessoas de mais idade passam mais tempo expostas
à ação dos agentes externos causadores da doença - fumo, álcool, gordura
animal, radiações químicas, sol. A contrapartida: como nos mais velhos
as células se multiplicam mais vagarosamente, os tumores também seguem
esse ritmo - mais lento, ou seja, demoram um tempo maior para crescer.
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