Não
se pode ficar sem colesterol. Esse lípide, uma substância gordurosa e
sem odor, é básico para várias funções vitais do organismo. Em sua ausência
não há produção de novas células, de hormônios sexuais, nem de vitamina
D - essencial no metabolismo do cálcio, que por sua vez é importante na
formação, conservação e regeneração de ossos. O fígado fabrica cerca de
70% do colesterol do corpo. Os 30% restantes vêm da alimentação - dos
produtos de origem animal e das gorduras saturadas e transinsaturadas
- e são absorvidos no intestino. "Isso corresponde a 600 mg por dia, o
equivalente a quase três gemas de ovo", diz Durval Ribas Filho (SP), presidente
da Associação Brasileira de Nutrologia.
É no excesso desse lípide, porém, que está a ameaça. Ao se acumular no
sangue, ele forma placas de gordura - chamadas ateromas - que entopem
as artérias e reduzem o fluxo sangüíneo para os tecidos. Trata-se da temida
aterosclerose. "É como um gigantesco engarrafamento de trânsito, onde
as vias estão congestionadas", compara o cardiologista Leandro Pomini
(SP). No caso de bloquear uma artéria que fornece sangue para o coração,
há risco de ataque cardíaco; se for uma que se dirige ao cérebro, o resultado
pode ser um acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame.
O colesterol sangüíneo elevado age sorrateiramente, sem manifestar sinais
da sua presença por muitos anos, e não faz qualquer distinção entre homens
e mulheres, idosos ou crianças. No Brasil, mais de 68 milhões de pessoas
têm o problema e, segundo um estudo feito pela Sociedade Brasileira de
Cardiologia, muitos sequer desconfiam. "A conscientização é algo recente.
As grandes campanhas e estatísticas sobre o assunto datam dos últimos
15 anos", diz a cardiologista Tania Martinez (SP), diretora da Clínica
de Dislipidemia do Instituto do Coração (Incor).
Quem nunca faltou às aulas de química sabe que óleo e água não se misturam.
A mesma teoria se aplica ao colesterol, uma gordura, e o sangue, que é
aquoso. Para ser transportado pela corrente sangüínea até as células,
ele precisa ser 'empacotado' em proteínas especiais, as lipoproteínas.
Há dois tipos de 'embalagens': a LDL (do inglês low-density lipoprotein),
uma lipoproteína de baixa densidade, e a HDL (- high-density lipoprotein),
de alta densidade. A primeira transporta a gordura para todas as células
e pode entrar na parede das artérias, formando a aterosclerose. Por isso,
o ideal é ter baixas taxas de LDL, não à toa conhecido como o mau colesterol.
Já a lipoproteína HDL, a versão boa, ajuda a retirar o lípide das células
e o leva de volta para o fígado, de onde poderá ser eliminado do organismo.
Funciona como um aspirador: quanto maior a sua presença, melhor será a
limpeza das artérias e, conseqüentemente, menor o risco de doenças cardiovasculares.
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