Foi-se o tempo em que perder uma parte do corpo significava total dependência de outras pessoas para a realização de qualquer atividade. Hoje as próteses chegaram a um nível de sofisticação capaz de superar quase todas as barreiras impostas aos deficientes físicos. Até um olho biônico está sendo desenvolvido nos Estados Unidos e, quem sabe, poderá em futuro bem próximo devolver a visão a milhares de portadores de deficiências visuais. “No caso de membros superiores (braços e mãos), o que há de mais recente no mercado são as próteses mioelétricas, com sensores comandados pela contração da musculatura do coto (a parte amputada)”, explica o fi- sioterapeuta José André Carvalho, diretor do Instituto de Prótese e Órtese (IPO), de Campinas (SP).
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| Acima, uma prótese de pé feita com fibra de carbono. Mais leve, absorve o impacto das pisadas e garante maior impulso aos atletas paraolímpicos e a mão mioelétrica, com sensores comandados pela contração da musculatura do coto |
“O eletrodo capta o sinal do músculo e o manda para o motor da prótese, que realiza os movimentos de mãos, punhos e cotovelos, permitindo que o indivíduo possa segurar objetos com mais facilidade, ao controlar a força e a velocidade da prensão.”
Quanto aos membros inferiores (pernas e pés), também já é possível fazer movimentos voluntários com joelhos computadorizados, que funcionam com sistema hidráulico e acompanham as diferentes fases da marcha. “A cada segundo, é possível fazer 60 análises de movimento”, diz José André Carvalho. Assim, a marcha e o andar ficam mais harmoniosos e menos desgastantes.
“Os processadores eletrônicos são uma contribuição importante para facilitar e melhorar o controle das articulações mecânicas pelo paciente”, afirma o ortopedista e traumatologista Marco Antônio Guedes de Souza Pinto, fundador do Centro Marian Weiss, de São Paulo, especializado no trabalho com amputados. “Um problema enfrentado por amputados transfemorais (na altura do fêmur, osso da coxa), que é descer planos inclinados, tem sido resolvido com o auxílio destes processadores.”
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ERA BIÔNICA
O QUE JÁ É REALIDADE
Um braço artificial controlado pelo pensamento. A norteamericana Claudia Mitchell é a primeira mulher a receber um membro superior capaz de redirecionar os nervos seccionados de forma a enviar sinais cerebrais aos motores eletrônicos da prótese. Antes, com um equipamento convencional, Claudia só podia executar uma tarefa de cada vez — ou estendia o cotovelo, ou abria a mão. Além disso, ela precisava se concentrar para flexionar o músculo peitoral ou o tríceps para movimentar o braço. Agora, basta pensar no movimento para executá-lo, o que inclui movimentar também os dedos da mão. O braço biônico pesa cinco quilos e possui motor que se estende bem além do ombro, com cabos e partes mecânicas visíveis. A mão fica coberta por um revestimento semelhante a uma luva de borracha. Outros cinco pacientes já estão testando o braço, em desenvolvimento pelo Instituto de Reabilitação de Chicago, nos Estados Unidos.
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