Em
geral, o indivíduo começa a beber buscando a euforia e a desinibição que
o álcool traz. Só que, para uma em cada dez pessoas, o que era um meio
para alegrar-se e ficar à vontade torna-se uma compulsão, algo que foge
totalmente ao controle. O prazer inicial dá lugar a uma longa jornada
de sofrimento, desagregação e perdas afetivas, profissionais e pessoais.
São problemas inerentes ao alcoolismo - definido como o hábito de consumir
excessiva e regularmente bebidas alcoólicas -, terceira maior causa de
morte por doença segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), perdendo
apenas para os males cardiovasculares e o câncer. Manter o dependente
longe da bebida é tarefa difícil, principalmente por um obstáculo colocado
pelo próprio alcoólatra: o da negação da doença. Por todas essas razões,
conhecer o inimigo é essencial para vencê-lo.
Por ser o álcool a única droga cujo uso é socialmente aceito e até incentivado,
o abuso representa um problema mundial. De acordo com o National Institute
on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), o custo do combate ao alcoolismo
nos Estados Unidos saltou de 115 bilhões de dólares, em 1983, para 130
bilhões em 1990, chegando a 246 bilhões em 1998. Estima-se que mais de
550 milhões de pessoas em todo o mundo sejam dependentes da bebida -o
que equivale a 10% da população. O quadro por aqui é igualmente grave.
Um levantamento apresentado em 2002 pela Secretaria Nacional Antidrogas
(Senad) revelou que 60% dos brasileiros consomem álcool regularmente e
11,2% são dependentes - o que hoje representa 19 milhões de pessoas. Segundo
o Ministério da Saúde, o alcoolismo é responsável por 40% das faltas ao
serviço, 39% das ocorrências policiais, 20% dos acidentes de trabalho
e 75% dos acidentes fatais de trânsito.
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