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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Inteligência uma questão de saúde
Segundo especialistas, o QI é determinado pela genética. Mas depende de estímulos externos ao longo da vida para se desenvolver por completo - o que inclui uma rotina saudável. Saiba mais sobre essa habilidade dos seres humanos e como aproveitá-la ao máximo

POR EULINA OLIVEIRA

O QUE É INTELIGÊNCIA?

"É A CAPACIDADE DE SE COMPREENDER O MUNDO À SUA VOLTA, DE RESOLVER PROBLEMAS E DE SE ADAPTAR AO MEIO AMBIENTE POR MEIO DO RACIOCÍNIO", DEFINE ORLANDO BUENO, COORDENADOR DO CENTRO PAULISTA DE NEUROPSICOLOGIA DA UNIFESP

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENSVocê tem a impressão de que as crianças de hoje são muito mais espertas do que as de antigamente? Pois saiba que está absolutamente certo. "O potencial intelectual tem aumentado no mundo todo. A cada nova geração, o quociente de inteligência (QI) das pessoas cresce", garante Daniel Fuentes, supervisor do Serviço de Psicologia e Neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Esse fenômeno tem pelo menos duas explicações. Primeiro, a disponibilidade de informações é cada vez maior, o que amplia o conhecimento e estimula a memorização e o raciocínio. Segundo, as condições de saúde estão melhores, com maior acesso a serviços médicos, saneamento básico e alimentação mais adequada - um quadro que favorece o bom funcionamento de todo o cérebro e de suas funções cognitivas.

De acordo com os especialistas e os estudos sobre o assunto, a capacidade intelectual é determinada pela carga genética e pela interação com o meio ambiente. "Não se pode dizer que um desses aspectos é mais importante do que outro, pois não há como separá-los", afirma Orlando Bueno, coordenador do Centro Paulista de Neuropsicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Todos nascem com uma determinada carga genética, mas é pelo contato com os estímulos externos que a inteligência vai se desenvolver. "Existe uma diferença entre potencial intelectual, que é determinado pelos genes e é constante no decorrer de toda a vida, e eficiência intelectual, que só se configura a partir do aperfeiçoamento desse potencial e depende de estimulação e condições ideais de saúde e alimentação", comenta o psicólogo Daniel Fuentes. "O intelecto, portanto, é refém do ambiente em que se vive", acrescenta.

"Uma criança pode nascer com uma predisposição genética para ser muito inteligente, mas esta herança será insuficiente se ela não for estimulada e não tiver oportunidades para desenvolver as habilidades cognitivas", explica a neuropsicóloga Cândida Helena Pires de Camargo, consultora do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Por isso, garante a especialista, é importante que os pais estimulem os seus filhos desde os primeiros dias de vida. "Eles devem incentivar as crianças a explorar objetos, oferecer músicas de qualidade, evitar falar errado ao conversar com a garotada, ensinar o maior número possível de palavras e ajudá-las a desenvolver o senso ético e estético", explica a neuropsicóloga. Ou seja, o desenvolvimento da inteligência deveria começar antes da alfabetização na escola.

O neuropsicólogo Orlando Bueno da Unifesp concorda que a infância é uma fase crucial, em que se desenvolvem as bases da inteligência. Mas alerta: o cérebro tem de ser constantemente desafiado ao longo da vida, pois em cada período - infância, adolescência e vida adulta - se formam habilidades específicas e essenciais à formação do intelecto.

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