Viva Saúde
Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Viva bem a terceira idade
A receita básica para uma existência melhor contém ingredientes como alimentação saudável, exercícios físicos, manutenção de bons hábitos e ajuda da medicina preventiva. Veja como conseguir isso através desse prático manual para se viver mais e melhor

POR EULINA DUARTE

O IMPACTO DOS EXERCÍCIOS

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENSEm entrevista, o especialista Ricardo Cassilhas, graduado em educação física e pesquisador do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica por que é importante movimentar o corpo na terceira idade

Um idoso que nunca praticou atividade física pode começar a fazer exercícios? Quais os cuidados deve tomar?
Vários estudos mostram que, quanto mais se pratica atividade física durante a vida, menores serão as chances de se desenvolver doenças crônico-degenerativas. Por outro lado, quem começa a se exercitar na terceira idade também pode obter melhoras em diversos aspectos. O cuidado que se deve ter antes de iniciar qualquer modalidade, no entanto, é consultar um médico para uma avaliação clínica completa. Depois, deve-se procurar orientação de profissionais de educação física, nunca esquecendo de respeitar os próprios limites. Outra recomendação é escolher o exercício que mais agrada. É importante que o praticante também sinta prazer.

Quais os benefícios comprovados da prática de exercícios físicos regular na terceira idade?
As atividades físicas influenciam positivamente em três aspectos da vida: o social, por aumentar a interação entre os indivíduos da mesma idade e inserilos novamente na sociedade; o psicológico e/ou neurológico, uma vez que os exercícios melhoram o humor, diminuem a ansiedade, previnem a depressão, e estimulam a memória e aprendizagem; e o aspecto físico - que promove aumento da capacidade cardiopulmonar e da flexibilidade, crescimento da massa muscular, da força e da densidade mineral óssea e ainda diminui o percentual de gordura e controla o colesterol e a glicemia (taxa de açúcar no sangue), entre outros benefícios.

Quais as pesquisas já realizadas no Cepe sobre a atividade física na terceira idade?
No Cepe temos uma linha de pesquisa que trabalha o impacto dos exercícios físicos nas funções cognitivas (memória e aprendizado) de idosos. Essa linha teve início em 2002 com os estudos da pesquisadora Hanna Karen Moreira, que verificou a influência da atividade aeróbia na cognição. Constatou-se que, após o período de 24 semanas de treinamento, os idosos que se exercitaram melhoraram a capacidade cardiopulmonar, a memória, a aprendizagem, a atenção, o raciocínio, o perfil de humor e a qualidade de vida. No ano passado, desenvolvi um estudo para verificar o impacto do exercício resistido (musculação) nas funções cognitivas desse grupo. Encontramos melhora de força e massa muscular, além de aumento na memória, aprendizagem, raciocínio, atenção, humor e qualidade de vida.

Quais as modalidades mais recomendadas para os idosos?
Em princípio, não existe restrição para homens e mulheres da terceira idade. A avaliação médica prévia é que irá estabelecer os limites ou não para determinada atividade. A partir disso, deve-se realizar uma avaliação física para mensurar características como força, flexibilidade e capacidade cardiopulmonar. Genericamente, recomenda-se para o idoso exercícios do tipo aeróbio, de musculação e de flexibilidade, pois essas capacidades sofrem significativo declínio com o avançar da idade. A freqüência pode variar de uma a três vezes por semana, com média de duração para cada sessão de 20 a 60 minutos.

ATIVIDADE FÍSICA: O OUTRO LADO DA MOEDA
  O idoso é a pessoa que mais precisaria fazer exercícios físicos, afirma o ortopedista Gilberto Camanho, do Hospital das Clínicas de São Paulo, especialista em medicina esportiva. "Com o passar dos anos, perdem-se fibras musculares, estrutura nervosa e massa óssea, que podem privar a pessoa de uma vida normal", diz. Uma ginástica benéfica, porém, é aquela feita com moderação, de acordo com o condicionamento físico e após avaliação médica. O esforço exagerado, inclusive na juventude, pode levar a uma série de problemas e até mesmo acelerar o envelhecimento. "Pode ocorrer um desgaste das articulações, causando artrose, um problema que provoca dor, deformações e limitação dos movimentos", explica. Outro aspecto dos exercícios além do limite é o aumento dos radicais livres, substâncias tóxicas formadas a partir de reações com o oxigênio e que também são responsáveis pela aceleração do envelhecimento. Isso ocorre quando o exercício exige mais oxigênio do que se consegue enviar ao sistema circulatório por meio da respiração.
   

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