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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  É possível viver bem com diabetes
A doença é séria, requer cuidados especiais, mas há como lidar com ela de maneira tranqüila. Prevenção, controle e informação são os caminhos mais indicados para isso

por Jurema Aprile
fotos Fernando Gardinali
realização Lia Guimarães

O diabetes é a terceira causa de morte no mundo, superada apenas pelas doenças cardio-circulatórias e pelo câncer. Calcula-se que, de cada 100 pessoas, sete sofram com o mal. Isto equivale a cerca de 180 milhões em todo o planeta e esse número pode dobrar até 2025 - uma epidemia emergente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Nunca houve tantas mortes relacionadas à enfermidade: são quatro milhões por ano. A responsável por esse quadro é uma mistura de desinformação com o pior da vida moderna - sedentarismo e maus hábitos alimentares. "Falta uma ação educativa que faça chegar à população o conhecimento sobre recursos, prevenção e a maneira de lidar com o problema", diz a metabologista Fernanda D'Elia (SP), especialista no assunto. No Brasil, a metade dos 16 milhões de diabéticos sequer desconfia que tem a doença, segundo o Ministério da Saúde. Cerca de 23% dos que sabem não seguem tratamento algum e 80% não se cuidam adequadamente.

Felizmente, novas pesquisas e métodos - engenharia genética, transplantes, remédios de última geração - avançam no sentido de trazer mais qualidade ao dia-a-dia do paciente. A descoberta mais importante, no entanto, não passa pelos laboratórios ou centros cirúrgicos, mas pelo bom senso. "É possível controlar e até evitar a doença quando se adota um estilo de vida saudável", diz a endocrinologista Caroline Bulcão (SP), mestranda em diabetes na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com uma ressalva: há casos em que, além da mudança de hábitos, é necessário tomar medicamentos.

Sentir muita sede, urinar com freqüência acima do usual, ter perda de peso inexplicável e visão embaçada podem ser sinais da doença

Para a Associação Americana de Diabetes, trata-se de uma doença degenerativa crônica classificada em vários tipos. Porém, em 99% dos casos, é diagnosticada de uma só forma: pelo aumento de glicose no sangue. "É a manifestação comum às 58 formas conhecidas do problema", diz o endocrinologista Freddy Eliaschewitz (SP), do Núcleo de Terapia Celular e Molecular da Universidade de São Paulo e do Hospital Albert Einstein. Cerca de 90% dos diabéticos estão classificados no que se chama tipo 2, o mais usual e o responsável pelas estatísticas sombrias relatadas pela Organização Mundial de Saúde. De 5% a 10% pertencem ao tipo 1. Os 56 tipos restantes são formas raras e se encaixam em apenas 2% dos casos.

Ritmos diferentes
Para entender a doença é preciso saber que glicose e insulina dependem uma da outra - e ninguém sobrevive sem elas. A glicose é o combustível para os mais de 100 trilhões de células do organismo. É obtida a partir dos alimentos que, depois de digeridos, são transformados em glicose (açúcar) que chega às células por meio da corrente sangüínea. Para entrar em cada uma delas e fornecer a energia necessária para que tudo funcione corretamente, a substância precisa de uma espécie de chave fabricada pelo pâncreas, o hormônio insulina. Esta última acompanha os altos e baixos das taxas de glicose a que o corpo está sujeito, dia e noite. Nenhuma das duas pode sobrar ou faltar. O que ocorre no diabetes: há carência completa ou parcial de insulina. Resultado: o açúcar não tem como entrar nas células e estaciona no sangue.

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