Sobre as doenças cardiovasculares muito já se sabe sobre o assunto. Mas há muito ainda a ser descoberto. Por um lado, através de relevantes iniciativas pública e privada, temos disponível uma vasta gama de modernos tratamentos e exames que melhoram e prolongam a vida das pessoas que sofrem com esses males. Por outro, entretanto, a comunidade médica tem entendido que a prevenção ainda é a melhor alternativa face às enfermidades que acometem esse órgão vital. Por isso, esse tem sido um dos principais objetos de discussões, estudos e pesquisas na busca de medidas de prevenção cada vez mais eficazes.
Provavelmente, os dados relacionados às doenças cardiovasculares têm atuado como combustível para esse tipo de preocupação. O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o assunto, por exemplo, mostra as doenças cardiovasculares como a maior causa de morte no mundo, ganhando de outros distúrbios graves, como problemas pulmonares.
Outra notícia assustadora é que 60% dos casos de problemas cardiovasculares são provenientes dos países em desenvolvimento — como o Brasil. É fato que a maior parte dos casos está ligada a vários fatores de risco que predispõem uma pessoa a desenvolvê-las. Esses fatores, geralmente, são adquiridos de acordo com o estilo de vida adotado, como sedentarismo, tabagismo, estresse, uso de drogas, má alimentação e níveis elevados de colesterol ruim (LDL) e hipertensão (quando ambos originam-se de hábitos do indivíduo). Mas também podem não depender de escolhas, como hereditariedade (histórico de problemas cardiovasculares na família), menopausa, idade avançada e sexo (já que homens têm maior probabilidade de desenvolver doenças do coração).
Em favor da prevenção, o mesmo relatório da OMS faz uma análise sobre as mortes ocorridas na América do Norte e em alguns países do oeste europeu em virtude de cardiopatias e conclui sua diminuição nos últimos anos. Pode parecer um paradoxo. Na verdade, o número de casos continua crescendo, os óbitos é que minguaram. A explicação é simples: tudo isso é resultado do crescimento de ações de prevenção, diminuição do tabagismo e de outros hábitos prejudiciais à saúde, melhorias no diagnóstico e tratamento, entre outros.
Em busca do equilíbrio
Uma dieta balanceada é a base de um organismo saudável. O problema é colocá-la em prática no dia-a-dia. A famosa expressão ‘você é o que come’ não pode ser considerada uma simples frase de efeito. Quando se trata de doenças cardiovasculares, ela deve ser levada muito mais a sério. Isso porque os fatores de risco estão diretamente associados aos hábitos alimentares. “Se as pessoas comessem mais verduras e frutas e deixassem as gorduras de lado, não teríamos tanta gente morrendo do coração”, afirma o cardiologista Raul Dias Santos, diretor da Unidade de Lípides, do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. É evidente que não se pode excluir os perigos que o tabagismo e o sedentarismo representam contra a saúde. Cada fator, individualmente ou em conjunto, contribui seriamente para o risco dos distúrbios que acometem o coração.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Correspondem a cerca de 3,8 milhões de homens e 3,4 milhões de mulheres, representando um terço da população mundial. No Brasil, atinge 300 mil pessoas anualmente
Órgãos nacionais e internacionais de saúde fazem recomendações, com base científica, em relação ao que se deve incluir ou riscar da dieta. Gorduras saturadas e trans, açúcares, sódio e alimentos ricos em colesterol devem ter consumo reduzido e controlado.
“É bom lembrar que as gorduras trans-insaturadas (presentes em alimentos que contêm gordura vegetal ou óleo vegetal hidrogenado) têm a capacidade de elevar o mau colesterol e baixar o bom”, diz a nutricionista Rosana Perim Costa, do Hospital do Coração, de São Paulo. “Quem exagera no consumo dessas gorduras, sem dúvida está mais propenso a desenvolver doenças coronarianas”, alerta o cardiologista Raul Dias Santos.
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