Em
pouco mais de um século, a expectativa de vida dobrou graças ao controle
das doenças infecto-contagiosas e à redução da mortalidade infantil. Quem
nascia no Brasil em 1900 vivia, em média, 34 anos. Hoje, os brasileiros
atingem em torno de 71 anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro de 2003. Com o avanço da
medicina, os números devem subir ainda mais. O Núcleo de Estudos e Saúde
do Idoso da Fundação Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, estima que o país
terá três milhões de pessoas na faixa de 80 anos em 2020 (em 2000 havia
1,8 milhão de octogenários). "Mas não basta estender a longevidade, as
pessoas querem viver mais e melhor", destaca o geriatra Roberto Magalhães
(SP), do Hospital e Maternidade São Camilo - Ipiranga.
Os cientistas ainda não conseguiram localizar o gene responsável pelo
envelhecimento, nem formular a tão esperada poção da juventude. Em compensação,
estão derrubando a idéia de que envelhecer é sinônimo de decadência física
e mental. Estudos realizados em comunidades com um grande número de idosos
ativos, caso de Veranópolis, na Serra Gaúcha, a cidade brasileira campeã
de longevidade, mostram que hábitos saudáveis podem fazer a diferença.
É de pequenino que se torce o pepino
O que compromete a qualidade de vida não é o amadurecimento do corpo humano,
um processo lento e gradual que se inicia por volta dos 25 anos, mas as
doenças que incidem sobretudo nessa etapa e a perda da capacidade funcional
(não conseguir se locomover, raciocinar, realizar tarefas) às vezes imposta
por elas. "Livre de males, o cérebro e outros órgãos podem se manter totalmente
ativos por décadas após os 50 anos. Bastam que sejam usados" , afirma
o neurologista americano Bruce Yanker, da Escola de Medicina de Harvard.
Para alcançar esse objetivo, é necessário afastar os vilões que aceleram
o relógio biológico. Quanto antes você se cuidar, melhores os resultados.
"A prevenção deve começar na infância", ensina Magalhães. Mas nunca é
tarde para dar o primeiro passo. Uma pesquisa publicada no Journal of
the American Geriatrics Society constatou que até pessoas que só deixaram
de ser sedentárias aos 80 anos tiveram melhoras no seu estado clínico.
Os idosos avaliados se exercitavam em bicicletas ergométricas ou esteiras
por cerca de 20 minutos, duas vezes por semana, e foram percebidos progressos
entre os que apresentavam distúrbios como artrite e doença coronariana.
Se tivessem começado anos antes, talvez esses males nem chegassem a se
manifestar.
| Fumo,
sedentarismo, obesidade, dieta inadequada, sol em excesso e estresse:
procure ficar o mais longe possível desses inimigos da saúde |
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