
Por mais que as terapias medicamentosas indicadas para o diabetes tenham evoluído, todas elas, incluindo o uso da insulina, agem de forma paliativa, pois não conseguem atingir a raiz do problema, que é o dano ocorrido nas células fabricantes de insulina (as células-beta), que deixam de cumprir sua função. Por isso, pesquisadores de todo mundo têm se dedicado a estudar novas técnicas que visem atuar na origem do mal. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, atualmente, existem cinco linhas de pesquisa que procuram chegar à cura do diabetes e não apenas compensar a insulina perdida. A seguir, saiba mais sobre as pesquisas:
Transplante pancreático
Consiste em um transplante duplo de rim e pâncreas realizado, em especial, em pacientes que apresentem quadros de nefropatias graves. O transplante combinado reduz o risco de rejeição, quando comparado ao transplante único do pâncreas. Além disso, a sobrevida dos transplantados aumentou bastante devido ao avanço nas drogas de combate à rejeição. Nos últimos dois anos, graças a elas, 90% das pessoas submetidas a transplantes sobreviveram às cirurgias depois de um ano. Os novos imunossupressores são menos tóxicos e agem diretamente sobre os linfócitos, as células do sangue que têm a função de reconhecer o "inimigo" (no caso, os órgãos transplantados) e produzir anticorpos para combatê-los. Um dos imunossupressores mais usados é o mycophenilato, que atua sobre a enzima que ajuda na proliferação dos linfócitos T e B. O grande problema de se recorrer aos transplantes, porém, ainda é a procura por doadores.
Transplantes de ilhotas
As ilhotas pancreáticas, ou ilhotas de Langerhans, são estruturas do pâncreas que contêm as células-beta, as produtoras de insulina. Em diabéticos tipo 1, por motivos ainda não totalmente compreendidos, o sistema imunológico ataca e destrói as células pancreáticas, interrompendo a produção da insulina. Com o transplante das ilhotas, a produção e liberação de insulina inicia-se novamente, promovendo o equilíbrio da taxa de glicose tão importante para o paciente.
"A técnica ainda está em fase de teste. Porém, o problema maior é que são necessários quatro doadores em média para produzir ilhotas suficientes para uma pessoa, tornando o custo muito alto. Esse tipo de transplante só foi feito em diabéticos do tipo 1, com bons resultados até agora", revela o endocrinologista Márcio Krakauer.
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