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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Peça fundamental: Corpo sadio
Ao combater as causas físicas da falta de desejo, o organismo costuma reagir positivamente. Daí para o entusiasmo sexual voltar é um passo...

por Jurema Aprile
Fotos: Fernando Gardinali

fotos fernando gardinali
As causas emocionais da falta de libido podem ser resolvidas com o resgate dos sentimentos e do diálogo. As orgânicas - que correspondem a cerca de 10% das reclamações sobre problemas sexuais nos consultórios - também têm solução. O diagnóstico é fácil de ser feito e a saída está ao alcance de todos. A queixa mais comum refere-se ao ciclo menstrual. A mulher tem oscilações hormonais durante todo o mês, que intensificam e diminuem seu desejo.

Isso depende ainda dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM): a libido nesse período é influenciada por tudo o que incomode - cólica, inchaço, irritação e mudanças repentinas de humor, por exemplo. Em compensação, na fase fértil há mais estrogênio (hormônio feminino) circulando no sangue e a excitação torna-se mais fácil.

As razões orgânicas da falta de libido - cerca de 10% das reclamações sobre problemas sexuais nos consultórios - são fáceis de serem diagnosticadas e tratadas

Dores atrapalham
Sensação de mal-estar e dor são outros fatores que zeram o desejo de qualquer um. "Uma das causas na mulher pode ser a endometriose, uma afecção da mucosa que recobre a face interna do útero. Por isso, as visitas periódicas ao ginecologista são importantes", diz Elisabete Almeida (SP), especialista em Educação e Prevenção Médica. É preciso ainda ter cuidados especiais com as doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs. Isso vale para homens e mulheres. "Candidíase, clamídia, gonorréia e todas as que envolvem processos inflamatórios na região genital se enquadram nessa definição", diz Rosana Simões, ginecologista-chefe do Ambulatório de Sexualidade Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O uso da camisinha, portanto, é fundamental, inclusive para evitar contágio por doenças mais graves como hepatite C, Aids e HPV, um vírus considerado precursor do câncer de colo de útero.

Ginástica sexual
  E o orgasmo, quem diria, pode evitar uma operação cirúrgica para recompor a musculatura da pelve. Ao menos para as mulheres que fazem ginástica para o assoalho pélvico no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, com o intuito de tratar a incontinência urinária. Elas fazem a terapia como parte do pré-operatório - e muitas se curaram apenas com os exercícios. "Embora o projeto seja para a saúde, tornou-se uma educação sexual para as pacientes que desconheciam o prazer pela estimulação do clitóris. Na verdade, desconheciam até esse órgão", diz Adriana Gimenez, fisioterapeuta do HSPM. Explica-se: um dos exercícios consiste em se masturbar para atingir o orgasmo e, com os espasmos, fortalecer os músculos da pelve. A prática ajuda a mulher a entrar em contato com sua percepção da musculatura vaginal e abre canais para a descoberta de sensações prazerosas, podendo aumentar a sensibilidade e a lubrificação. Também melhora o contato com o pênis no momento da relação sexual. Tudo isso em conjunto pode aumentar o desejo e colaborar para se chegar ao orgasmo.
   

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