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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Enxaqueca, mais do que uma dor de cabeça
A doença atinge o ser humano desde a pré-história, mas o estilo de vida moderno contribuiu muito para aumentar o número de vítimas e as crises - sendo uma das principais causas de faltas no trabalho. Descubra o que é, quais os sintomas e como tratar o tipo mais comum de cefaléia

POR EULINA OLIVEIRA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

O QUE RONDA AS CRISES

AS AURAS
Existem dois tipos básicos de enxaqueca. As crises podem ser com ou sem aura. Trata-se de um fenômeno neurológico que provoca perda da visão lateral ou percepção de manchas escuras e pontos luminosos. Pode desencadear ainda dormência nas mãos que se estende até o rosto. A crise sem aura é a mais comum - a com aura atinge apenas 1% ou 2% dos casos. "Embora mais raro, porém, este último quadro é mais assustador, porque a pessoa pensa que está tendo um derrame", explica a neurologista Célia Roesler. Neste tipo de enxaqueca, os distúrbios visuais e a dormência duram de 15 a 40 minutos e se manifestam antes de a cabeça começar a doer fortemente. Ocorre uma descarga elétrica cerebral na qual os vasos extracranianos se contraem e depois dilatam.

PERIGO: DERRAME
Infelizmente essa sensação de estar prestes a sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) tem fundamento. Após analisarem 14 pesquisas sobre o tema, especialistas norte-americanos concluíram que enxaquecosos correm o dobro do risco de sofrer derrames. E que o perigo é ainda maior entre as pessoas que apresentam crises com aura. Isso porque, em vítimas de enxaqueca, verifica-se uma redução de sangue enviado ao cérebro. Pelo mesmo motivo, outro grupo considerado de risco pelos pesquisadores é o das mulheres enxaquecosas que tomam pílulas anticoncepcionais. Elas possuem oito vezes mais chances de ter um derrame se comparadas a mulheres que não fazem uso de contraceptivos orais.

EM BUSCA DO ALÍVIO E DA CURA

As crises podem ser classificadas em leves, moderadas e graves. Em geral, as leves se resolvem com medidas simples como uma boa noite de sono. Já as moderadas e graves exigem auxílio médico. Segundo o neurocirurgião Edgard Raffaelli Jr., toda enxaqueca tem cura, desde que tratada de maneira correta, e isso passa pelo uso de fármacos indicados por especialistas. "O tratamento evoluiu muito nos últimos anos, especialmente com a chegada dos triptanos, uma classe de remédios que age diretamente no mecanismo da doença. Antes, eram empregados analgésicos comuns para aliviar as dores", conta o médico.

"Em muitos casos, é preciso tomar medicação para o resto da vida. Mas com cuidados adequados, mesmo que não se chegue à cura, é possível ao menos diminuir as crises em freqüência, intensidade e duração", explica a neurologista Célia Roesler. "Normalmente, os resultados começam a aparecer só a partir do segundo ou terceiro mês."

A neurologista revela que há dois tipos de procedimento para a enxaqueca: o abortivo e o profilático. O primeiro, como sugere o nome, consiste em 'abortar' a crise, com o uso de analgésicos e antiinflamatórios específicos, antes que a dor se instale. No segundo, são empregados vários tipos de medicamentos preventivos, como, por exemplo, para pressão arterial e para o coração, que acabam bloqueando a liberação excessiva de adrenalina.

Os antidepressivos são usados nos enxaquecosos para melhorar a serotonina circulante. São administrados ainda anticonvulsivos e remédios específicos para epilepsia, que agem no sistema gaba, que é o centro da dor cerebral. Outros remédios possíveis são vasodilatadores e até antipsicóticos, utilizados para tratar esquizofrenia. A associação desses remédios varia conforme o caso do paciente.

Mais uma alerta: a automedicação, por meio do uso indiscriminado de analgésicos, sem orientação, pode provocar o chamado 'efeito rebote'. O cérebro pára de produzir endorfina e passa a exigir cada vez mais esses medicamentos. "O paciente pode ter uma enxaqueca transformada, com crises diárias", avisa a neurologista Célia Roesler. "A solução, nesse caso, é a pessoa procurar um especialista, que promoverá a desintoxicação, tirando o analgésico do paciente até ele se livrar da dependência", explica.

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