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Enciclopédia - Novembro/2006
 
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  Enxaqueca, mais do que uma dor de cabeça
A doença atinge o ser humano desde a pré-história, mas o estilo de vida moderno contribuiu muito para aumentar o número de vítimas e as crises - sendo uma das principais causas de faltas no trabalho. Descubra o que é, quais os sintomas e como tratar o tipo mais comum de cefaléia

POR EULINA OLIVEIRA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

O que Albert Einstein, Napoleão Bonaparte, Miguel de Cervantes, Charles Darwin, Fréderic Chopin, Virginia Woolf e Sigmund Freud tinham em comum, além de serem grandes nomes da História? Segundo pesquisadores, todos sofriam de enxaqueca, uma doença que afeta aproximadamente 20% das mulheres e 10% dos homens em todo o mundo. Normalmente confundida com uma cefaléia (dor de cabeça) comum, o mal que afligia os gênios da humanidade - e que também é conhecido como migrânea - corresponde a um conjunto de sinais e sintomas que vão muito além das dores e pontadas na cabeça.

A enxaqueca provoca dor pulsante (latejante) ou sensação de peso, que pode durar até três dias e atingir apenas um lado da cabeça (nem sempre o mesmo) ou ela inteira, inclusive extravasando para os dentes, os seios da face e a nuca. Normalmente vem acompanhada por tonturas, náuseas e vômitos, distúrbios do sono, intolerâncias à luz (fotofobia), a cheiros (osmofobia), a barulhos (fonofobia) e a movimentos (cinetofobia), sendo uma das principais causas de faltas no trabalho.

"A enxaqueca é uma disfunção química cerebral hereditária (sempre há alguém na família com o problema), caracterizada pela pouca produção das substâncias serotonina e endorfina (que atuam como calmantes do Sistema Nervoso Central) e pela liberação de muita noradrenalina (de ação estimulante)", explica a neurologista Célia de Paula Roesler, de São Paulo, membro das Sociedades Brasileira e Internacional de Cefaléia e co-autora do livro Dor de cabeça - Um guia para entender as dores de cabeça e seus tratamentos (Prestígio Editorial).

O começo das crises acontece pela liberação de noradrenalina e de outras substâncias na corrente sangüínea que acabam atingindo as artérias extracranianas. Estas, por sua vez, dilatam. Quando não latejam, provocam a dor em peso ou pressão. De acordo com a neurologista, a enxaqueca é o tipo mais conhecido de cefaléia, mas não o mais comum. "Há cerca de 300 tipos de dores de cabeça, sendo a mais freqüente a tensional episódica ou crônica, decorrente de cansaço, de noites mal dormidas ou de excesso de bebida alcoólica, por exemplo", explica.

"Há registros de enxaqueca desde a pré-história", garante o clínico geral paulistano Alexandre Feldman, especialista em dores de cabeça e integrante da Associação Americana para o Estudo da Cefaléia. Naquela época, os primeiros 'tratamentos' eram bastante rudimentares. "Foram descobertos crânios de milhares de anos com buracos. Acreditava-se que abrir um orifício na cabeça da pessoa que sofria de terríveis dores libertava-a de maus espíritos", conta o médico, que, entre outros livros, é autor de Enxaqueca - Finalmente uma Saída (Editora Arx) e Enxaqueca - Alívio para o Sofrimento (Editora Siciliano).

Mas Feldman sustenta a tese de que a incidência da doença vem aumentando, em virtude dos hábitos da vida contemporânea. Segundo ele, uma pessoa pode nascer com predisposição para enxaqueca, mas o mal se manifesta principalmente em função do comportamento do ser humano e do ambiente em que ele vive. Todos esses fatores unidos, garante o especialista, podem desequilibrar a química cerebral. "É clara a conexão entre o aumento de casos de enxaqueca e o estilo de vida", diz. Má alimentação, estresse e falta de horários regulares para dormir estariam entre os fatores desencadeantes desse tipo de cefaléia.

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