
O que Albert Einstein, Napoleão Bonaparte, Miguel de Cervantes, Charles
Darwin, Fréderic Chopin, Virginia Woolf e Sigmund Freud tinham em comum,
além de serem grandes nomes da História? Segundo pesquisadores, todos
sofriam de enxaqueca, uma doença que afeta aproximadamente 20% das mulheres
e 10% dos homens em todo o mundo. Normalmente confundida com uma cefaléia
(dor de cabeça) comum, o mal que afligia os gênios da humanidade - e que
também é conhecido como migrânea - corresponde a um conjunto de sinais
e sintomas que vão muito além das dores e pontadas na cabeça.
A enxaqueca provoca dor pulsante (latejante) ou sensação de peso, que
pode durar até três dias e atingir apenas um lado da cabeça (nem sempre
o mesmo) ou ela inteira, inclusive extravasando para os dentes, os seios
da face e a nuca. Normalmente vem acompanhada por tonturas, náuseas e
vômitos, distúrbios do sono, intolerâncias à luz (fotofobia), a cheiros
(osmofobia), a barulhos (fonofobia) e a movimentos (cinetofobia), sendo
uma das principais causas de faltas no trabalho.
"A enxaqueca é uma disfunção química cerebral hereditária (sempre há
alguém na família com o problema), caracterizada pela pouca produção das
substâncias serotonina e endorfina (que atuam como calmantes do Sistema
Nervoso Central) e pela liberação de muita noradrenalina (de ação estimulante)",
explica a neurologista Célia de Paula Roesler, de São Paulo, membro das
Sociedades Brasileira e Internacional de Cefaléia e co-autora do livro
Dor de cabeça - Um guia para entender as dores de cabeça e seus tratamentos
(Prestígio Editorial).
O começo das crises acontece pela liberação de noradrenalina e de outras
substâncias na corrente sangüínea que acabam atingindo as artérias extracranianas.
Estas, por sua vez, dilatam. Quando não latejam, provocam a dor em peso
ou pressão. De acordo com a neurologista, a enxaqueca é o tipo mais conhecido
de cefaléia, mas não o mais comum. "Há cerca de 300 tipos de dores de
cabeça, sendo a mais freqüente a tensional episódica ou crônica, decorrente
de cansaço, de noites mal dormidas ou de excesso de bebida alcoólica,
por exemplo", explica.
"Há registros de enxaqueca desde a pré-história", garante o clínico geral
paulistano Alexandre Feldman, especialista em dores de cabeça e integrante
da Associação Americana para o Estudo da Cefaléia. Naquela época, os primeiros
'tratamentos' eram bastante rudimentares. "Foram descobertos crânios de
milhares de anos com buracos. Acreditava-se que abrir um orifício na cabeça
da pessoa que sofria de terríveis dores libertava-a de maus espíritos",
conta o médico, que, entre outros livros, é autor de Enxaqueca - Finalmente
uma Saída (Editora Arx) e Enxaqueca - Alívio para o Sofrimento
(Editora Siciliano).
Mas Feldman sustenta a tese de que a incidência da doença vem aumentando,
em virtude dos hábitos da vida contemporânea. Segundo ele, uma pessoa
pode nascer com predisposição para enxaqueca, mas o mal se manifesta principalmente
em função do comportamento do ser humano e do ambiente em que ele vive.
Todos esses fatores unidos, garante o especialista, podem desequilibrar
a química cerebral. "É clara a conexão entre o aumento de casos de enxaqueca
e o estilo de vida", diz. Má alimentação, estresse e falta de horários
regulares para dormir estariam entre os fatores desencadeantes desse tipo
de cefaléia.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | Próxima >>