Não existem levantamentos estatísticos confiáveis para saber quantas pessoas consultam os médicos preventivamente no Brasil. Porém, é consenso entre os especialistas o fato de que a maior parte dos pacientes só busca ajuda quando os sintomas começam realmente a incomodar. "Entre os brasileiros ainda predomina o hábito de só recorrer à avaliação médica quando necessário", afirma o oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Mello, de São Paulo, coordenador da comissão de ensino do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Para piorar, quando se fala de checkup geral, logo vem à cabeça das pessoas aquela peregrinação interminável a laboratórios e uma bateria de testes complexos e caros, que geralmente não contam com a cobertura dos convênios médicos e são inacessíveis à maioria dos indivíduos. É por isso que até mesmo os mais precavidos costumam deixar de lado cuidados preventivos, ou seja 'teoricamente secundários', por falta de recursos financeiros.

Avaliação deve ser personalizada
Pensar assim, no entanto, garantem os médicos, é um grande equívoco. "Temos de incutir na população brasileira o pensamento moderno de que a medicina preventiva é melhor e muito mais barata", defende Paulo Augusto de Arruda Mello. Além disso, o conceito de análise completa do organismo para a detecção precoce ou a prevenção de doenças passou a ser bem mais amplo. Atualmente, o check-up já não tem a ver apenas com a quantidade e a tecnologia dos exames diagnósticos solicitados, mas com o constante acompanhamento médico de cada caso.
Já existe equipamento de ressonância magnética capaz de fazer um rastreamento completo do corpo do paciente em poucos minutos. Mas os 'aparelhos' mais importantes para a identificação de fatores de risco são mesmo a voz e a caneta do médico. "Ele é o profissional responsável por determinar a relação dos exames necessários para o diagnóstico de eventuais males. E essa lista dependerá bastante da avaliação que fará do perfil do paciente e de seu histórico familiar e pessoal de doenças", explica o médico Carlos Serrano, de São Paulo, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). "Um check-up eficiente, portanto, começa na consulta a médicos de confiança, com boa formação clínica e uma visão eclética dos pacientes", defende Abrão José Cury Junior, de São Paulo, diretor da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM).
O oftalmologista Paulo Augusto de Arruda Mello concorda e alerta também sobre a importância do bom senso no momento de selecionar a bateria de testes. "Se o profissional fizer uma cuidadosa avaliação clínica prévia, pode tornar desnecessária a realização de muitos exames", explica.
De acordo com ele, todo médico tem de estar preparado para individualizar o atendimento. "Na prática, um paciente de 50 anos de idade sem antecedentes familiares de tumores no intestino pode não precisar se submeter a uma colonoscopia, enquanto um de 35, com determinados sintomas e relatos da doença entre os parentes, pode ser candidato a este tipo de avaliação específica", exemplifica o clínico Abrão José Cury Junior.
Quanto à indicação da periodicidade do check-up, isso também varia conforme as faixas etárias, o sexo, a predisposição genética e os fatores de riscos do paciente a determinados males. No entanto, há consenso entre os especialistas sobre a realização de alguns exames preventivos.
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